Noriega rejeita acusação de lavagem de dinheiro e acusa EUA

Segundo ex-ditador panamenho, acusações são frutos de "montagem bancário-financeira imaginária dos Estados Unidos"

iG São Paulo |

AFP
Desenho retrata ex-ditador panamenho Manuel Noriega durante julgamento em corte em Paris, França
O ex-ditador panamenho Manuel Antonio Noriega denunciou nesta terça-feira uma "montagem bancário-financeira imaginária" por parte dos Estados Unidos ante o Tribunal Correcional de Paris, que o acusa de lavagem de dinheiro do cartel de Medellín no final dos anos 80 na França.

"Digo com toda humildade e respeito que esta é uma montagem bancário-financeira imaginária dos Estados Unidos", afirmou o ex-homem forte do Panamá, dirigindo-se à presidência do Tribunal. No segundo dia do julgamento por suposta lavagem de US$ 2,8 milhões, o ex-ditador negou qualquer vínculo com narcotraficantes.

O Tribunal Correcional de Paris começou na segunda-feira a julgar Noriega e o julgamento, que se prolongará até quarta-feira, está sendo realizado no Palácio da Justiça de Paris, na presença do ex-militar de 76 anos, que poderá ser condenado a 10 anos de prisão.

Extradição

Um tribunal francês havia condenado o ex-homem-forte do Panamá em 1999, época em que estava preso nos Estados Unidos por tráfico de drogas. A França concordou em realizar um novo julgamento se ele fosse extraditado do país. A extradição ocorreu em abril deste ano.

O ex-líder panamenho esteve detido em prisões americanas desde 1990. Com saúde frágil, Noriega se confundiu nesta segunda-feira ao dizer sua data de nascimento, afirmando primeiro ter nascido em 1936, corrigindo-se depois para 1934.

Desde a extradição, em abril, seus advogados tentam sua transferência da prisão parisiense de Santé, alegando que o ex-líder está sendo mantido em condições desumanas. A extradição foi criticada por muitos no Panamá que desejam julgar Noriega por acusações de tortura e assassinato de opositores. Então chefe das Forças Armadas, Noriega na prática comandou o Panamá de 1983 a 1989, embora nunca tenha sido presidente do país.

Primeiramente considerado um dos maiores aliados americanos na América Latina, Noriega foi apoiado pelo país até 1987, mas no ano seguinte foi acusado de trafico de drogas. Tropas americanas invadiram o Panamá em dezembro de 1989 após a morte de um fuzileiro dos Estados Unidos e prenderam Noriega no mês seguinte. Condenado, cumpriu 17 anos de prisão na Flórida.

* Com AFP e BBC Brasil

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