Nomes de pilotos que teriam atacado La Moneda em 1973 são divulgados

Pilotos que supostamente bombardearam sede da presidência chilena antes de Salvador Allende morrer eram oficiais da Força Aérea

EFE |

Os envolvidos no julgamento que procura esclarecer as causas da morte do ex-presidente Salvador Allende divulgaram nesta quarta-feira os nomes dos pilotos que teriam bombardeado o Palácio La Moneda durante o golpe liderado por Augusto Pinochet em 1973.

Em entrevista coletiva, o advogado Roberto Ávila declarou que os pilotos seriam Mario López Tobar, Fernando Rojas Vender, Enrique Montealegre Julliá, Gustavo Leigh Yates e Eitel von Müllenbrock, todos eles oficiais da Força Aérea do Chile.

AFP
O ex-presidente do Chile Salvador Allende, em foto de 1970
Leigh Yates era filho do general Gustavo Leigh, chefe da Fach e que após o êxito do golpe integrou a Junta Militar liderada por Pinochet. Já Rojas Vender anos depois chegou ao posto máximo da aviação militar.

O único até agora confirmado como um dos pilotos foi López Tobar, que nos anos 90 publicou um livro sobre o episódio, mas manteve em sigilo os nomes de seus companheiros.

O juiz a cargo do caso, Mario Carroza, tentou obter os nomes por meios oficiais, mas tanto a Força Aérea chilena como o governo disseram que a informação não existia.

Perícia

O julgamento pela morte de Allende, cujo corpo foi exumado em maio por ordem do juiz e está submetido à perícia para que se determine a causa da morte, corresponde a uma das 720 queixas apresentadas à Justiça por casos de eventuais violações dos direitos humanos que nunca foram investigadas.

Ávila, que estava acompanhado por dirigentes do movimento Socialista Allendista, disse que o juiz Carroza ainda não chegou a nenhuma conclusão a respeito dos pilotos, mas afirmou ter "convicção" de que se tratam dos nomeados, com base nos antecedentes do processo.

A polêmica com relação às identidades dos pilotos surgiu há algumas semanas quando, em uma reportagem da revista Qué Pasa, o general reformado Fernando Matthei, que sucedeu Leigh na chefia da Força Aérea, insinuou que na instituição houve "um pacto de silêncio" para manter os nomes em segredo.

Por conta da publicação, o juiz Carroza convocou Fernando Matthei, que negou saber os nomes e argumentou que suas palavras sobre o pacto foram tiradas de contexto.

O ministro da Defesa chileno, Andrés Allamand afirmou que a Força Aérea não tem a lista dos pilotos que tripularam os caças-bombardeiros Hawker Hunter que atacaram e incendiaram a sede do governo chileno, onde Salvador Allende se encontrava.

Os dirigentes do movimento Socialista Allendista qualificaram as palavras do ministro de "pouco críveis" e de "leviandade" e pediram ao governo que entregue à Justiça os nomes e todos os antecedentes do bombardeio.

Até agora, a versão mais divulgada e corroborada por testemunhas é que Salvador Allende se suicidou na sede da presidência chilena. Crescem, no entanto, rumores de que Allende tenha sido morto pelos militares que atacaram o La Moneda.

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