Nomeação de candidato republicano pode se arrastar até agosto

Indecisão de eleitores e não desistência de Gingrich e Ron Paul levam disputa para convenção, que pode definir disputa pela 1ª vez em 36 anos

Carolina Cimenti, de Nova York |

A indecisão dos eleitores republicanos pode quebrar recordes nas eleições de 2012. Pela primeira vez em 36 anos, o candidato oficial do partido poderá ser decidido somente na Convenção Republicana Nacional em agosto, e não no processo de votação iniciado em janeiro com os cáucuses e primárias .

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Eleitora de Romney é vista durante comício do republicano em Peoria, Illinois (20/3)
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Se isso acontecer, o candidato escolhido terá somente dois meses de campanha eleitoral para convencer os americanos a votar nele e não no atual presidente, Barack Obama. Por consequência, essa demora para nomear um dos quatro pré-candidatos republicanos atuais vem dando mais tempo a Obama para levantar fundos e doações para gastar na campanha quando a hora chegar.

Para ser nomeado antes da convenção, o pré-candidato tem de conquistar 1.144 delegados (nas primárias e nos cáucuses). Neste momento, a matemática republicana aponta o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney como candidato principal, com 569 delegados. O ex-senador Rick Santorum vem em segundo, com 262, enquanto o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich tem 136 delegados e o deputado Ron Paul, 71. Dos Estados que ainda não votaram há 1.260 delegados em disputa.

Apesar de ainda ser possível que Romney, ou outro candidato, conquiste os 1.144 delegados necessários para evitar uma convenção com cara de final de Copa do Mundo, esse desfecho parece distante pelo fato de que Gingrich e Ron Paul rejeitam desistir da disputa por ainda não haver um claro favorito.

“Caso ninguém saia vitorioso nas prévias, todos esses meses que antecederam à convenção tornam-se tempo jogado fora pelo partido”, afirmou ao iG o analista político da Universidade de São Francisco Stephen Zunes. “Esse atraso na decisão de um candidato também enfraquece os republicanos radicalmente. Afinal, quanto mais tempo esperam, mais tempo Obama tem para se preparar e convencer os eleitores dos fatores negativos dos republicanos”, disse.

Em uma coletiva na terça-feira, Gingrich reiterou o que já disse antes: só abandonará a disputa depois de Romney conquistar 1.144 delegados. “Se chegarmos ao dia 26 de junho sem um vencedor (data da última primária), acredito que teremos uma das convenções políticas mais interessantes da história dos EUA”, disse o pré-candidato, que acredita que poderá ser o nomeado nesse caso.

“Se assim for, teremos 60 dias de diálogo na televisão, no rádio e na internet (até a data da convenção), e nesse momento teremos de responder: quem tem mais chance de vencer Obama? E daí acredito que a maioria dos republicanos concordará que eu seria melhor que todos os outros”, concluiu.

Na prática, se a nomeação realmente ficar em aberto até a convenção, ela será decidida por cerca de 2.200 delegados (uma lista que abrange desde desconhecidos oficiais do partido em cada Estado até ativistas republicanos que são famosos nacionalmente). A convenção ocorrerá em Tampa, na Flórida, em 27 de agosto. As eleições presidenciais serão em 6 de novembro.

“Isso tudo significaria uma campanha atrás de portas fechadas, uma briga violenta pelo voto dos delegados, e muitas negociações obscuras acabariam acontecendo”, explicou Zunes. “Romney, como candidato de ponta, teria de ficar muito mais radical para agradar ao Tea Party , e isso poderia acabar ajudando Obama, pois a maior parte dos votos de centro acabaria indo para os democratas”, afirmou.

Outro efeito que essa disputa acirrada pode causar é a nomeação, no último minuto, de um candidato novo, que não chegou a participar das primárias e dos cáucuses e cause menos divisão no partido. Alguns analistas acreditam que a ex-governadora do Alaska Sarah Palin poderia voltar à cena política em um momento assim. Também é possível que uma negociação para a posição de candidato à vice-presidência mude ou nasça aí, cheia de pressões partidárias.

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Pré-candidato republicano Newt Gingrich com eleitores de Atlanta, antes da Superterça (6/3). Ele já disse que não desistirá de disputa
“Quanto mais tempo essa pré-eleição durar, pior para os republicanos. Eles brigam entre si e se diminuem, e deixam o presidente Obama crescer nas pesquisas. E as pesquisas mostram que, atualmente, quanto mais o eleitorado descobre sobre esses quatro pré-candidatos, menos gosta deles”, afirmou Zunes.

A última vez que uma situação dessas aconteceu foi 36 anos atrás, em 1976, entre o então governador da Califórnia, Ronald Reagan, e o então presidente, Gerald R. Ford. Ford acabou ganhando a nomeação, mas meses depois perdeu as eleiçãos para o democrata Jimmy Carter.

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