Nobel do Irã vê proximidade emocional entre Chávez e Ahmadinejad

Madri, 22 jan (EFE).- A vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2003 Shirin Ebadi percebe uma proximidade emocional bastante forte entre o presidente de seu país, Mahmoud Ahmadinejad, e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, favorecida pelas tentativas do Teerã de ampliar sua influência na América Latina.

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Em discurso em uma conferência no Conselho Geral da Advocacia Espanhola, em Madri, a jurista e opositora iraniana falou da difícil situação jurídica de seu país, o assédio aos advogados independentes e às violações aos direitos humanos pelo regime de Ahmadinejad aliado ao clero xiita.

Ao concluir sua exposição e respondendo a pergunta de um dos participantes, Ebadi fez referência às ambições do Irã na América Latina e suas relações com líderes locais, como Chávez e o presidente boliviano, Evo Morales.

"O Governo do Irã tenta ganhar influência na América Latina e isso explica os grandes investimentos que têm feito na região", disse a ativista dos direitos humanos.

Como exemplo citou os aportes iranianos na Bolívia, "embora também tenha estreitado os laços recentemente com o Brasil" e há muito interesse em outros países da região.

Em dezembro, o ministro iraniano de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, manifestou a disposição de seu Governo de ampliar os laços comerciais e econômicos com o Uruguai, cujo novo Executivo já assinalou que o Irã é uma das "prioridades" das autoridades de Montevidéu.

Os interesses iranianos na América Latina afetam os setores mais importantes das economias regionais e as áreas que estas têm grande dependência: o petróleo do gás, a agricultura e a infraestrutura.

Estes movimentos despertaram as suspeitas dos Estados Unidos, sobretudo aos crescentes investimentos do Irã na Venezuela e as negociações de petróleo e gasolina entre os países.

A própria secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu recentemente à Bolívia e a Venezuela sobre a "péssima ideia" de envolver-se cada vez mais com o Irã.

Em sua conferência de hoje, a vencedora do prêmio Nobel da Paz iraniana, primeira mulher muçulmana a receber a distinção, ressaltou a empatia entre Chávez e o presidente de seu país, e classificou como corretas as suspeitas das atividades do Irã na América Latina.

"Não estamos contra de nenhum país. É preciso ajudar à América Latina, mas sempre que seja (a ajuda) dirigida ao benefício dos dois países", afirmou Ebadi.

A advogada lembrou ainda sobre as tentativas do Irã de obter apoio em muitas regiões do mundo para fortalecer sua posição nas Nações Unidas.

"Não se pode comprar o voto de países na ONU", afirmou taxativa a vencedora do prêmio Nobel. EFE jas/dm

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