Nobel da Paz Desmond Tutu se retira da vida pública

Religioso e um dos líderes contra o Apartheid na África do Sul diz que quer "tempo para as coisas que sempre quis fazer"

iG São Paulo |

O Nobel da Paz e arcebispo anglicano emérito da Cidade do Cabo, o sul-africano Desmond Tutu, anunciou nesta quinta-feira que deixará a vida pública no dia 7 de outubro, quando completará 79 anos.

"Chegou o momento de ir mais devagar e de tomar chá de rooibos (bebida típica da África meridional) com minha mulher", disse Tutu em entrvista coletiva, com seu habitual sorriso e sem deixar de fazer brincadeiras com os jornalistas. "Creio que fiz tudo que podia fazer e preciso realmente de tempo para todas as coisas que sempre quis fazer", declarou.

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Desmond Tutu liderou, ao lado de Nelson Mandela, a luta contra o Apartheid na África do Sul

A partir da próxima primavera na África do Sul, Tutu, que dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos e durante muitos anos foi um dos ícones da luta contra o Apartheid, afirmou que poderá "ver partidas de críquete, rugby, futebol e tênis" com maior tranquilidade.

"Viajarei para ver meus filhos e meus netos, ao invés de ir a conferências e a centros universitários", disse Tutu, que interrompeu em várias ocasiões a entrevista para rir de suas próprias palavras e das perguntas dos jornalistas.

A partir de agora, Tutu não atenderá mais a pedidos de entrevistas. "Como disse Madiba (Nelson Mandela) quando se retirou da vida pública (em 2001): 'Não me chamem, eu lhes chamarei", explicou.

Tutu afirmou que apenas continuará trabalhando com o Grupo dos Sábio ("The Elders"), que reúne ex-dirigentes e prêmios Nobel da Paz como o ex-presidente americano Jimmy Carter ou o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

O líder religioso recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984 antes de ocupar o Arcebispado anglicano da Cidade do Cabo, à frente do qual esteve entre 1986 e 1996.

No meio deste período, a África do Sul saiu do Apartheid para se transformar em um Estado democrático. O processo contou ainda com a eleição de Mandela como primeiro presidente negro do país, em 1994. No novo regime, Tutu liderou a Comissão da Verdade e Reconciliação sul-africana.

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