Nobel da Paz dedica prêmio a "mártires da Praça da Paz Celestial"

Ativista preso Liu Xiaobo soube pela mulher do prêmio e dedicou aos estudantes mortos pelo Exército em 1989

EFE |

O ativista preso Liu Xiaobo chorou ao saber que foi agraciado com o Nobel da Paz e dedicou o prêmio aos "mártires da Praça da Paz Celestial", em referência ao massacre de estudantes que pediam reformas democráticas na China cometido pelo Exército do país, em 1989.

A esposa do dissidente, a poetisa Liu Xia, informou neste domingo por meio de um comunicado do encontro que teve esta manhã com seu marido na prisão de Jinzhou, em Liaoning, onde ele cumpre pena de 11 anos por ter redigido um manifesto que reivindicava reformas democráticas em seu país.

Liu Xia, que está sob prisão domiciliar, disse que os guardas da prisão informaram ontem a seu marido sobre a decisão do júri do Instituto Nobel Norueguês. Ao retornar a Pequim, a poetisa, que se casou com Liu Xiaobo em 1996 enviou mensagens através de seu twitter. "Irmãos, já retornei. Estou sob prisão domiciliar e não sei quando vou poder vê-los. Meu telefone está quebrado e não posso receber ligações. Vi Liu Xiaobo. Na noite do dia 9 os guardas contaram a ele sobre o prêmio. Quando tudo se acalmar, por favor, ajudem-me a pressionar. Graças".

A esposa do Nobel está sob prisão domiciliar mesmo não tendo cometido nenhum crime, informou em comunicado a ONG Freedom Now, grupo de advogados internacionais especializados em direitos humanos que se ocupa do caso de Liu Xiaobo.

"Liu Xia está recebendo uma enorme pressão", disse Yang Jianli, um dos membros da ONG. "Esperamos que os líderes mundiais condenem este vergonhoso ato do Governo chinês e peçam a libertação imediata de Liu Xia".

Na quarta-feira passada, a poetisa disse que não esperava que concedessem o Nobel a seu marido, quem, segundo ela, é um homem prestativo, doce e com um alto senso de responsabilidade social.

O governo chinês reagiu à concessão do Nobel ao dissidente reforçando a vigilância sob a qual sua esposa vive desde dezembro de 2008, quando ele foi preso após assinar, junto com outros 300 intelectuais, o manifesto político "Carta 08", que pede a entrada em vigor de direitos constitucionais como a liberdade de imprensa e de expressão e o pluripartidarismo.

Após o anúncio do ganhador do prêmio, Pequim convocou o embaixador norueguês na China para expressar sua rejeição à concessão do Nobel da Paz a Liu Xiaobo e para dizer que as relações bilaterais entre os países poderiam sofrer as consequencias dessa decisão.

Além disso, o governo impediu que a notícia aparecesse nas capas dos meios de comunicação do país, restringindo seu espaço a notas editoriais que definem Liu Xiaobo como um "criminoso" e a concessão do Nobel como um "absurdo".

Embora a maioria de chineses nem saibam quem é Liu Xiaobo, a censura que o regime está exercendo sobre o assunto está despertando a curiosidade em muitos cidadãos da República Popular da China, onde as manifestações de estudantes da Praça da Paz Celestial que o intelectual liderou junto com outros ativistas até hoje é considerada um tabu.

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