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Nobel Alternativo premia defesa de direitos femininos e idéias de Gandhi

Copenhague, 1 out (EFE).- A fundação Right Livelihood Award reconheceu hoje, com o prêmio Nobel Alternativo 2008, o trabalho do jornalismo independente, a luta pelos direitos das mulheres em países em conflito armado, assim como o compromisso pela justiça social inspirado em Gandhi.

EFE |

Os prêmios anunciados em Estocolmo contemplaram o casal indiano Krishnammal e Sankaralingam Jagannathan, fundadores da organização Lafti, a jornalista americana Amy Goodman, a ativista somali Asha Hagi e a ginecologista alemã Monika Hauser.

No caso do casal Jagannathan o júri reconheceu que os dois dedicaram suas vidas "a levar à prática a visão de justiça social e desenvolvimento humano sustentável de Gandhi", o que rendeu a ambos a alcunha de "almas da Índia".

Os dois participaram desde sua juventude de movimentos inspirados no líder indiano e defenderam desde então princípios como a resistência não violenta, que aplicaram em sua principal reivindicação, a redistribuição da terra.

O casal já está há meio século envolvido nessa luta, através de diferentes movimentos que, em 1981, acabaram gerando a fundação Terra para a Liberdade dos Camponeses (Lafti, na sigla em inglês).

Graças a seus programas de ação social, em que forçam os fazendeiros, negociando, a vender terras aos camponeses a preços razoáveis, e depois os ajudam a se organizar em cooperativas, cerca de 15 mil famílias já adquiriram mais de 5 mil hectares entre 1981 e 2007.

A fundação Lafti também se dedicou a impulsionar indústrias locais, dar formação aos dalit (casta dos intocáveis) e se opor aos projetos de multinacionais que põe em risco o meio ambiente.

Com a premiação de Amy Goodman, como fundadora e apresentadora do programa "Democracy Now!", se reconhece o desenvolvimento de "um modelo inovador de jornalismo político independente que leva a milhões de pessoas vozes que habitualmente são excluídas da imprensa convencional".

O "Democracy Now!" nasceu em 1996 como um programa matinal de uma hora transmitido pela emissora de rádio nova-iorquina "WBAI". Porém, passados 12 anos, hoje o programa faz parte da grade de mais de 700 redes de rádio e televisão dos Estados Unidos.

O programa dá destaque a assuntos que a cobertura da imprensa de massa ignora ou cobre de forma superficial, como o ativismo antibelicista ou a luta pela justiça social, racial e econômica.

As outras duas pessoas premiadas têm em comum seu compromisso na luta da defesa dos direitos das mulheres.

A somali Asha Hagi teve papel determinante no reconhecimento do papel e a participação das mulheres no processo de paz em seu país natal.

Hagi já havia criado em 1992 a campanha Salvemos as Mulheres e Crianças Somalis para apoiar sua luta contra a marginalização, a violência e a pobreza em suas comunidades.

Durante as negociações de paz na localidade de Arta em 2000, impulsionou o chamado Sexto Clã, o primeiro onde as mulheres eram representadas e que se somou aos cinco clãs tradicionais, dominados por homens.

Através do Sexto Clã, as somalis alcançaram conquistas como cotas de representação mínima nos Governos locais, regionais e nacional, assim como a criação de um Ministério para a Igualdade.

Da ginecologista Monika Hauser se destaca o "compromisso incansável no trabalho com mulheres violadas sexualmente " em países envolvidos em conflitos bélicos e "reivindicando para elas reconhecimento social e compensações".

Através da ONG Medica Mondiale, criada por ela devido ao conflito na Bósnia em 1992, Hauser e seus colegas ajudaram mais de 70 mil mulheres e meninas traumatizadas em regiões de combate como Kosovo, Congo, Libéria, Afeganistão e a própria Bósnia-Herzegóvina.

Os quatro ganhadores dividirão 2 milhões de coroas suecas (US$ 310 mil), em um prêmio que distingue o trabalho social de pessoas e instituições de todo o mundo e que é considerado um passo rumo ao Nobel da Paz.

O Right Livelihood Award como realmente se chama este prêmio, foi adotado em 1980 pelo escritor e ex-eurodeputado sueco-alemão Jakob von Uexküll.

A cerimônia de entrega dos prêmios acontece em 8 de dezembro no Parlamento sueco. EFE alc/rr

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