Manesh Shrestha. Katmandu, 18 fev (EFE).- Três irmãos nepaleses, que juntos somam 16 escaladas ao Everest, pretendem marcar seus nomes na História do montanhismo com o recorde de passar 24 horas escutando hinos religiosos no pico mais alto do mundo, uma façanha que dedicarão à paz no mundo.

"Queremos passar 24 horas no cume da montanha para rezar pela paz no mundo e no Nepal", disse hoje à agência Efe o mais velho dos três irmãos, Pemba Dorje Sherpa.

Os membros da expedição, que partirá em abril e deverá chegar em maio no Everest, levarão com eles uma estátua de Buda, assim como símbolos de outras religiões para envolver com espiritualidade sua conquista esportiva.

Além disso, os esportistas irão providos de aparelhos de MP3 e CD para poder escutar os cântico religiosos e se inspirarem durante o dia que pretendem passar a 8.848 metros de altitude.

Os três irmãos querem, assim, bater o recorde de outro nepalês, Babu Chirri, que passou 20 horas no monte mais alto do mundo e morreu durante outra escalada ao mesmo monte, após cair em uma ribanceira.

A morte de Chirri serviu como estímulo para os esportistas que, encorajados por um espírito patriótico, querem que o Nepal siga acumulando títulos mundiais.

"Se Babu Chirri ainda estivesse vivo, eu não estaria tentando este recorde, mas desde que ele morreu escalando o Everest quero garantir que um nepalês conservará a marca", disse Pemba, acrescentando que não acredita que ninguém possa tirar o título dele e de seus irmãos.

A dificuldade do desafio, a falta de oxigênio no alto da montanha e os riscos para a saúde não parecem amedrontá-los.

"Talvez para alguém que tenha nascido em menor altitude, isso possa acarretar um risco à saúde, mas nós nascemos nas montanhas, a uma altitude de 4.200 metros", acrescentou o alpinista, que planeja subir o Everest sem oxigênio, algo que já fez em outras duas ocasiões.

No entanto, seus irmãos Nima Gyalzen, de 23 anos, e Phurba Tenzing, de 20, utilizarão bujões para compensar a falta de oxigênio.

Alcançar recordes não é novidade para Pemba que, em seus 28 anos, chegou ao topo do Everest em nove ocasiões.

Entre as conquistas do montanhista, está a subida mais rápida a esse monte, em apenas 8 horas e 23 minutos, em 2003.

Além disso, ele alcançou o topo do mundo por duas vezes em cinco dias e por três vezes em dez, marcas que lhe valeram presença no Guiness Book (Livro dos Recordes).

A experiência de Pemba dá segurança ao mais novo do trio, Sherpa, que reconhece que foi ele quem o encorajou a participar do projeto.

"Meu irmão me propôs e eu lhe disse que sim. As quatro vezes em que subi foi com ele", disse Phurba à Efe.

Nima também é um montanhista experiente que alcançou o cume do Everest em três ocasiões, embora como integrante de expedições sem membros de sua família.

Os três irmãos nasceram em uma cidade do vale de Rolwaling, no leste do país da cordilheira do Himalaia, região da qual procede a maioria dos guias que acompanham os montanhistas de todo o mundo em seu objetivo de conquistar os desafiadores picos nepaleses.

Os Sherpa começaram a escalar montanhas aos 13 anos transportando equipamentos em expedições de "trekking" seguindo os passos de seu pai.

O patriarca da família trabalhou junto ao neozelandês Edmund Hillary e seu guia Tenzing Norgay Sherpa, que conseguiram escalar o Everest pela primeira vez na história, em 1953.

Mas apesar da tradição familiar, Pemba, pai de duas crianças, não quer que seus filhos sigam seus passos pelos perigos que envolvem.

"Sempre há um risco, qualquer coisa pode acontecer nas montanhas".

EFE ms/jp

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