No Rio, premiê do Haiti diz que Governo deve liderar reconstrução

Rio de Janeiro, 23 mar (EFE).- O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, afirmou hoje que a prioridade na conferência mundial de doadores de Nova York será o reconhecimento da liderança de seu Governo e a aceitação do plano de reconstrução elaborado após o terremoto de janeiro passado.

EFE |

"No início, 90% das ajudas chegaram por outros canais. Agora, precisamos que o Governo comece a atuar", disse Bellerive, durante uma conferência sobre a reconstrução do Haiti, realizada hoje na zona portuária do Rio de Janeiro dentro do Fórum Urbano Mundial da ONU.

O primeiro-ministro antecipou que na reunião de Nova York, marcada para 31 de março próximo, vai pedir aos parceiros internacionais que sigam o plano traçado pelo Governo e "que não façam nada mais por conta própria".

Além disso, assegurou que o Governo haitiano vai controlar as ONGs estrangeiras que atuam no país para saber quais são suas atividades e onde aplicam o dinheiro arrecadado em nome do Haiti.

Bellerive reforçou que pretende gerir os fundos com transparência e que, para isso, apresentará várias propostas de administração financeira, que já foram delineadas na semana passada em reunião técnica em Santo Domingo.

Segundo o plano, se criará um fundo com as doações administrado por uma agência fiscal temporária, copresidida por Bellerive e o enviado especial da ONU, o ex-presidente americano Bill Clinton.

O órgão determinaria as principais necessidades para a reconstrução e estaria em funcionamento até a criação a médio prazo de uma agência de reconstrução, o que também vai ser proposto na conferência de Nova York.

De acordo com o premiê haitiano, o orçamento do país para este ano parte com uma "lacuna" de US$ 350 milhões, já que a arrecadação de impostos parou em 12 de janeiro, com o terremoto que devastou o país.

Bellerive cifrou em US$ 3,8 bilhões a contribuição necessária para financiar a reconstrução nos primeiros 18 meses e assinalou que o total do plano exigiria investimentos em torno de US$ 11 bilhões.

No entanto, pediu "prudência" com os números e assegurou que o plano se ajustará aos fundos conseguidos na conferência de doadores.

"Quando se souber de quanto será a arrecadação, voltaremos a refazer o plano e a definir quanto tempo durará a reconstrução", disse o premiê, em entrevista coletiva.

Em todo caso, o primeiro-ministro considerou que a conferência de doadores "não é o fim do mundo", já que a reconstrução durará muito tempo. "Não vamos definir o Haiti em um dia", acrescentou.

Nesse sentido, destacou que o plano de ação pretende voltar a fundar o país "com bases mais sólidas", dado que "o Haiti de antes não interessa a ninguém".

"O terremoto demonstrou a fragilidade do país antes da tragédia.

Estava mal construído, sem serviços básicos. Precisamos de 200 mil mortos para aprender a lição. Agora temos o desafio de construir um novo país", comentou.

Bellerive assinalou que, além dos mortos, o terremoto deixou um rastro de 250 mil casas destruídas e cerca de 1,2 milhão de pessoas sem lar ou deslocadas.

No fórum, foram discutidas as principais necessidades para a reconstrução de Porto Príncipe e seu entorno, incluindo a melhora da qualidade da habitação, planejamento urbano, prevenção de desastres naturais, gestão de resíduos e tratamento da água. EFE mp/rr

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