No Reino Unido, Obama e Brown defendem reforço nas relações entre EUA e Europa

Londres - O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o provável candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, chegaram neste sábado ao consenso de que, para fazer frente a alguns dos principais problemas do mundo atualmente, é necessário fortalecer as relações entre Europa e Estados Unidos.

EFE |

Após uma reunião com Brown na residência oficial do chefe do Governo britânico, em Downing Street, Obama disse a jornalistas que o encontro foi "maravilhoso" e "extraordinário".

Segundo o senador americano, ambos concordaram quanto à importância de "as relações transatlânticas serem relançadas, para que problemas que nenhum país consegue resolver sozinho", como o terrorismo, a mudança climática e a crise econômica mundial, "possam ser solucionados".

Obama disse ainda que Brown está especialmente interessado em criar instituições internacionais para tratar do último desses temas, no qual poderá contar com o apoio dos EUA, caso derrote o senador republicano John McCain nas eleições presidenciais de novembro.

Brown e seu convidado também conversaram sobre o processo de paz no Oriente Médio. Segundo o americano, EUA e Reino Unido estão comprometidos a ajudar Israel e os palestinos a chegarem a uma boa solução.

Relaxado e sorridente, Obama agradeceu o Reino Unido por sua presença militar no Afeganistão, país ao qual gostaria de enviar mais tropas, americanas e de outros países, paralelamente à retirada, em 16 meses, dos soldados que se encontram no Iraque.

Em contraste com a "Obamania" que se alastrou pela Europa, levando multidões às ruas, o democrata encontrou no Reino Unido a típica discrição britânica.

Em respeito ao protocolo assinado com McCain quando este visitou o país em março passado, não houve coletiva de imprensa.

Além disso, por ser o primeiro fim de semana com clima efetivamente de verão no Reino Unido, não houve multidões saudando Obama, mesmo sendo ele o favorito dos britânicos, segundo pesquisas de opinião.

O comedimento também pode ter sido influenciado pelo ambiente de pessimismo que reina em Downing Street após a humilhante derrota eleitoral dos trabalhistas nas eleições parciais de quinta-feira em Glasgow, nas quais o partido governista perdeu para os independentistas uma cadeira parlamentar que possuía há 60 anos.

Em Londres, Obama conclui a última etapa de uma viagem internacional que, além das capitais européias, incluiu no roteiro visitas ao Iraque, ao Afeganistão, à Jordânia, a Israel e ao território palestino da Cisjordânia.

Aos jornalistas, o senador americano afirmou que não esperava que sua viagem ao exterior - planejada para fortalecer suas credenciais em política externa, segundo analistas - teria um impacto político imediato em seu país, a ponto de levá-lo a esperar uma queda nas pesquisas.

"Esta viagem é importante porque estou convencido de que muitos dos assuntos que enfrentamos em casa não serão resolvidos de uma maneira muita efetiva se não tivermos parceiros no exterior", declarou.

Após sua reunião com Brown, Obama manteve uma longa reunião no Parlamento com o líder do Partido Conservador, David Cameron, que, ao se despedir, presenteou o visitante com CDs de várias bandas de que gosta, como Radiohead e The Smiths.

Antes de se encontrar com o atual chefe do Governo britânico, Obama recebeu no hotel em que está hospedado o ex-primeiro-ministro Tony Blair, enviado do Quarteto de Madri para o Oriente Médio.

Está previsto que o senador americano, que na quinta-feira comoveu 200 mil alemães com um inspirado discurso, volte ainda hoje para os EUA, onde deverá acelerar sua campanha, a pouco mais de três meses das eleições.

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