No Paquistão, Gates busca ação contra Taliban afegão

Por Phil Stewart ISLAMABAD (Reuters) - O secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, fez na quinta-feira uma visita-surpresa ao Paquistão, na esperança de aprofundar laços e convencer o aliado a erradicar todos os militantes em atuação no país, inclusive facções afegãs do Taliban.

Reuters |

Em sua primeira visita ao Paquistão desde a posse do presidente dos EUA, Barack Obama, há um ano, Gates disse a jornalistas que também tentará convencer os céticos paquistaneses de que Washington os vê como aliados "de longo prazo."

Islamabad tem realizado grandes ofensivas contra facções paquistanesas do Taliban, responsáveis por frequentes ataques a civis e militares, mas resiste à pressão dos EUA para sair ao encalço do Taliban afegão em encraves fronteiriços, já que este não ataca o Paquistão, embora cruze a fronteira para enfrentar tropas norte-americanas.

O Paquistão alega já estar ocupado com o Taliban paquistanês, e que não pode abrir frentes demais ao mesmo tempo.

Mas analistas dizem que o Paquistão na verdade vê o Taliban afegão como uma ferramenta para conter a crescente influência da antiga rival Índia no Afeganistão, além de considerá-lo um possível aliado no Afeganistão caso as forças dos EUA se retirem do país e, como muitos paquistaneses temem, o deixem em situação caótica.

Em comentário publicado num jornal paquistanês, Gates disse que estabelecer uma distinção entre o Taliban paquistanês e seus aliados afegãos é contraproducente, e que todas as facções precisam ser combatidas.

"O que espero conversar com meus interlocutores é esta noção e a realidade de que não se pode ignorar uma parte deste câncer e fingir que ele não terá algum impacto mais perto de casa," disse Gates a jornalistas que o acompanhavam no trajeto entre Índia e Paquistão.

Islamabad e Washington são aliados há anos, mas as relações foram estremecidas pela pressão dos EUA para que o Paquistão se empenhe mais em impedir que os militantes cruzem as fronteiras da sua indômita região tribal da etnia pashtun para lutarem no Afeganistão.

Referindo-se a um "déficit de confiança" entre os Estados Unidos e o Paquistão, Gates disse nesse comentário que Washington espera deixar para trás mágoas de ambos os lados. Ele acrescentou que os EUA estão comprometidos com uma parceria estável, estratégia e prolongada com um Paquistão democrático.

Os EUA estão enviando 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão, e Islamabad teme que isso leve a uma extrapolação dos combates para o seu lado da fronteira.

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