No México, Obama promete ação coordenada no combate ao tráfico de drogas

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do México, Felipe Calderón, se comprometeram, nesta quinta-feira, em implantar ações coordenadas no combate ao tráfico de drogas. O compromisso firmado pela dupla foi feito durante a visita de Obama ao México, nesta quinta-feira - a primeira ida do presidente americano a um país latino-americano e a primeira visita de um líder dos Estados Unidos ao México em 12 anos.

BBC Brasil |

Obama saudou os atos do governo mexicano para conter os cartéis de drogas do país e acrescentou que "é absolutamente crítico que os Estados Unidos se tornem um parceiro integral" e atuem do seu lado da fronteira para impedir o fluxo de armas e dinheiro americanos com destino ao México.

Felipe Calderón clamou por "uma nova era, na qual o combate ao crime será plenamente assumido como uma responsabilidade comum".

Violência
A violência gerada por combates travados entre as autoridades mexicanas e os cartéis de drogas já matou 7 mil pessoas no México desde o ano passado.

As ações violentas do tráfico também têm gerado tensões do lado americano da fronteira.

Cidades como Phoenix, a capital do Arizona, tiveram um aumento significativo no número de sequestros, que seriam praticados por criminosos ligados aos cartéis.

Assim como já havia feito a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, Obama enfatizou que os Estados Unidos vêm contribuindo para a violência no país devido ao alto consumo de drogas pelos americanos e ao tráfico ilegal de armas para o México.

O Birô de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo dos Estados Unidos estima que cerca de 90% das armas confiscadas no México venham dos Estados Unidos.

Quando candidato à Presidência, Obama defendeu o restabelecimento do veto à venda de armas de assalto, que havia sido estabelecido na gestão de Bill Clinton, mas derrubado no governo de George W. Bush.

Mas, nesta quinta-feira, o presidente reconheceu que será difícil voltar a implantar essa medida, ao menos por enquanto. Militantes do direito de portar armas vêm fazendo lobby para que a diretriz adotada no governo Clinton não volte a ser introduzida.

Comércio e imigração
As relações comerciais entre México e Estados Unidos também enfrentam uma má fase. No mês passado, o México impôs tarifas equivalentes a US$ 2,4 bilhões sobre 89 produtos americanos.

A medida teria sido uma retaliação à decisão do governo americano de cancelar um programa que autorizava caminhões mexicanos a operar nos Estados Unidos.

Outro tema que vem abalando as relações entre as duas nações é a situação de imigrantes mexicanos nos Estados Unidos. Há mais de 12 milhões de imigrantes ilegais em território americano, boa parte dos quais são de origem mexicana.

Barack Obama se comprometeu a reintroduzir as discussões em torno de um programa de reforma imigratória que ofereça aos ilegais meios de regularizar sua situação nos Estados Unidos.

Mas, em meio à grave crise econômica vivida no país e a um índice de desemprego que chega a 8,5% e que poderá aumentar, será difícil para o líder americano levar adiante reformas imigratórias no curto prazo.

Depois da visita ao México, o presidente americano seguirá para Trinidad e Tobago, onde participará da quinta edição da Cúpula das Américas, ao lado de diversos líderes latino-americanos, entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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