No México, McCain critica Obama a respeito do livre-comércio

Por Jeff Mason CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O candidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA, John McCain, fez uma crítica velada a seu adversário democrata, Barack Obama, na quinta-feira, última parada de uma viagem realizada pela América Latina com o intuito de dar destaque às propostas dele para a área de política externa.

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Nesta semana, McCain usou sua visita à Colômbia e ao México para frisar seu apoio veemente ao livre-comércio e contrastar essa postura com a de Obama.

O democrata opõe-se a um acordo de livre-comércio com a Colômbia e ameaçou retirar os EUA do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), do qual participam também o Canadá e o México. A retirada ocorreria se o tratado não tornasse mais rígidos seus padrões ambientais e trabalhistas.

Depois de reunir-se com o presidente mexicano, Felipe Calderón, em um encontro no qual discutiu a imigração e o tráfico de drogas, McCain criticou a postura de Obama, sem mencionar o nome dele, a respeito do Nafta.

'Eu fico desapontado com a sugestão de que os EUA deveriam reabrir unilateralmente as discussões sobre o Nafta', afirmou o candidato.

'Se há questões pendentes entre os nossos países, sejam os EUA, o Canadá e o México, ou com outras nações com as quais selamos tratados solenes, a melhor forma de agir é não recorrer a uma postura unilateral.'

Durante as prévias democratas, na qual enfrentou a então pré-candidata Hillary Clinton, Obama disse que reabriria as negociações sobre o Nafta. No entanto, desde que conquistou a vaga do partido nas eleições presidenciais, Obama retrocedeu.

IMIGRAÇÃO, DROGAS

Na quinta-feira de manhã, McCain visitou uma igreja e almoçou com líderes empresariais do México e dos EUA, falando principalmente das questões envolvendo o livre-comércio.

Em uma entrevista coletiva concedida no hangar de um aeroporto, o republicano abordou suas propostas para a imigração e elogiou uma iniciativa criada para brecar o ingresso de drogas nos EUA.

'Os Estados Unidos da América e o México precisam proteger as nossas fronteiras. Isso exigirá alguns muros, algumas cercas', disse, em resposta a uma pergunta sobre se era necessário construir muros na fronteira americano-mexicana.

Segundo McCain, os EUA deveriam criar um programa de trabalhadores temporários, algo que, na opinião dele, poderia desencorajar as pessoas a atravessarem a fronteira. 'Quando ficar claro que as pessoas presentes ilegalmente em nosso país não conseguirão trabalho, isso desativará o ímã que atrai essas pessoas.'

No mês passado, o Congresso norte-americano aprovou um pacote de ajuda de 400 milhões de dólares para montar equipamentos de vigilância capazes de coibir o tráfico de drogas.

Esses equipamentos representam a primeira parte da Iniciativa Merida, de 1,4 bilhão de dólares, prometida pelo presidente dos EUA, George W. Bush, quando se encontrou com Calderón no ano passado.

O México recebeu com satisfação a ajuda, que pagará por helicópteros novos e equipamentos de vigilância. E disse que isso mostrava o fato de o governo norte-americano reconhecer no narcotráfico um problema comum aos dois países.

'Eu acredito que a Iniciativa Merida pode ser mais importante do que qualquer acordo que já fizemos', afirmou McCain.

(Reportagem adicional de Catherine Bremer)

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