No Líbano, governo Obama é visto com ceticismo

Libaneses ouvidos pela BBC Brasil mostram-se céticos com relação ao futuro governo de Barack Obama e sua política para a região. Muitos no Líbano, um país central para a estabiliade política no Oriente Médio, vêem a vitória de Obama como uma volta à normalidade, depois de oito anos do governo Bush, marcado pela chamada guerra ao terror.

BBC Brasil |

Segundo a imprensa local, os maiores grupos do Líbano - cristãos, xiitas e sunitas - acham que uma administração Obama trará uma sensação geral de melhora na região.

"Acho que ele [Obama] será mais sensível às diferenças culturais entre os povos, especialmente os árabes, trazendo um novo clima no governo americano", disse o cristão maronita Fouad Khoury.

Mas Khoury admite que a política externa de Obama ainda é uma incógnita, especialmente em relação a Israel, Síria e Irã, países que afetam a política interna libanesa.

"Espero que ele apóie o nosso governo, mas dialogue com Irã e Síria, senão ele corre o risco de repetir os mesmos erros de Bush."
O xiita Hassan Najem é natural do sul do Líbano e teve seu vilarejo bombardeado durante a guerra entre Hezbollah e Israel, em 2006.

Ele não se entusiasma com a eleição de Obama, já que acredita que a política americana continuará sendo guiada pelo suporte irrestrito a Israel. Mesmo assim, se disse satisfeito com a eleição americana por trazer uma nova cara para a Casa Branca.

"Mesmo sendo cristão, Obama tem origem muçulmana e africana. Acho que será mais aberto aos diferentes povos e culturas" declarou Najem.

Síria e Irã
O professor de Relações Internacionais da Universidade Americana de Beirute Karim Makdisi disse que um governo Obama não trará uma forte mudança com relação ao Líbano e a região.

"Mas haverá uma troca de estratégias e a abertura de canal de diálogo com Síria e Irã, ações que poderão fazer a diferença para o Líbano, já que esses dois países tem forte influência na política do país", afirmou.

Para Makdisi, há uma clara diferença entre a visão das diferentes comunidades com relação a Obama.

Ele explica que sunitas e cristãos desejam que os Estados Unidos façam mais pelo Líbano frente a um domínio sírio-iraniano sem afetar a relação interna entre seus partidos políticos com o grupo xiita Hezbollah.

"Eles não querem uma política linha dura americana, como foi com George Bush. Eles preferem que haja uma linha de mais abertura sem que isso signifique um enfraquecimento."
O professor também acrescentou que xiitas e outros grupos alinhados com Síria e Irã não esperam muita mudança com Obama, mas apenas um alívio da política "errônea" de Bush.

O analista político Ibrahim Moussawi, ligado ao Hezbollah, acredita que Obama entusiasmou no início o público libanês e árabe com discursos de mudança.

"A questão é que o governo anterior criou uma paranóia geral com relação a terrorismo que tudo que precisamos agora é menos pressão e mais entendimento", disse.

Israel
Moussawi também disse que xiitas e o Hezbollah, tido como organização terrorista pelos Estados Unidos, acreditam que Obama será melhor apenas pelo fato de que haverá um avanço com novas estratégias de maior diálogo, mesmo que isso não signifique menos apoio a Israel.

O apoio ao Estado judaico é uma das incógnitas em comum para os libaneses. Moussawi não acredita em uma mudança brusca na política americana de total apoio aos israelenses.

"Isso não vai mudar por causa do forte lobby israelense nos Estado Unidos. Neste sentido, o governo Obama não entusiama os libaneses e árabes como um todo".

Makdisi também não vê com muito entusiasmo o novo governo em relação a um processo de paz.

"Todo mundo sabe que não haverá menor apoio a Israel, mas é o processo de paz na região, e que afeta o Líbano, que preocupa os libaneses", destacou Makdisi.

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