No Japão, G8 anuncia acordo para conter mudança climática

Patricia Souza Toyako (Japão), 8 jul (EFE).- Os países-membros do Grupo dos Oito (G8, grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) anunciaram hoje em sua cúpula de Hokkaido, no Japão, um acordo contra a mudança climática que exige que as economias avançadas reduzam pela metade as emissões de CO2 na atmosfera até 2050.

EFE |

s líderes do G8 pediram aos países emergentes, entre eles China e Índia, que "considerem seriamente" esse objetivo.

Ao mesmo tempo, eles se comprometem a fixar metas nacionais a médio prazo, mas sem concretizar e sem marcar uma data de referência para medir o nível de emissões.

"Admitimos que as economias avançadas diferem das economias em desenvolvimento", por isso os países ricos aplicarão "objetivos ambiciosos a médio prazo" para reduzir as emissões de acordo com a situação de cada país, assinala um comunicado conjunto do grupo.

O acordo foi classificado de satisfatório pelos países desenvolvidos, por pactuar posturas pouco reconciliáveis - Japão e UE em um extremo, EUA no outro -, mas de fracassado pelas ONG's, que não vêem avanços.

Os analistas concordam que o anúncio, embora difuso, permite salvar os anfitriões japoneses, que haviam feito da mudança climática seu ponto principal em Hokkaido, diante de assuntos como a situação econômica, o desenvolvimento da África e a crise alimentícia que ameaça milhões de pessoas.

Os países emergentes do Grupo dos Cinco (Brasil, México, Índia, China e África do Sul) disseram em uma cúpula paralela, em Sapporo, que é necessária uma "responsabilidade compartilhada eqüitativa" contra o aquecimento global e que o G8 deveria reduzir suas emissões, em 2020, para entre 25% e 40 % em relação ao nível de 1990.

Em Hokkaido, o Japão pressionou esta semana um acordo para 2050, enquanto a UE preferia fixar uma data mais próxima de 2020, em uma porcentagem equivalente (redução de 20%). Os EUA queriam inserir economias emergentes como Índia e China nas metas de redução.

Na cúpula de 2007, o G8 tinha prometido "considerar seriamente" a redução pela metade de emissões de CO2 até 2050, e agora apóia, através de negociações da ONU, que tal meta seja "global".

As ONG's afirmam que o presidente americano, George W.Bush, havia bloqueado todo o avanço com a ajuda do Canadá; a Casa Branca classifica o anúncio de melhora "significativa"; a Comissão Européia está satisfeita; e o Japão considera um "novo passo" para englobar todas as nações no acordo.

O diretor da WWF Internacional, Kim Carstensen, disse à Agência Efe que para envolver os EUA será necessário esperar pelo sucessor de Bush, apesar de ter assinalado que países como Brasil e Japão já tenham realizado programas internos para combater a mudança climática.

O assunto foi destaque no segundo dia da cúpula do G8 na tranqüila ilha japonesa de Hokkaido, mas não o único tema da conversa, pois também foi debatido o arrefecimento econômico, a alta dos preços do petróleo e o desenvolvimento da África.

Os países ricos expressaram sua preocupação com os altos preços do petróleo e dos alimentos, que representam "um sério desafio para um crescimento estável", embora tenham destacado seu otimismo quanto à situação econômica.

Sobre o alto preço dos alimentos que aflige o mundo em desenvolvimento, os países ricos alertaram que isto poderia levar à pobreza milhões de pessoas, e se mostraram dispostos a fazer o possível para garantir a segurança alimentar a curto e a longo prazo.

Em outro comunicado, o G8 renovou seu compromisso com o desenvolvimento da África, apesar dos temores de que o grupo voltasse atrás em suas intenções de duplicar, a partir de 2010, a ajuda ao continente, e até considerou a possibilidade de estendê-la.

EFE psh/fh/rr

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