No Iraque, vice dos EUA pede que país supere diferenças

Por Andrew Quinn e Khalid al-Ansary BAGDÁ (Reuters) - O Iraque tem um caminho difícil a sua frente para terminar com as divisões, os conflitos e construir uma paz duradoura, afirmou nesta sexta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em viagem ao país.

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Biden, a quem o presidente Barack Obama pediu que coordenasse as políticas norte-americanas para o Iraque, passou o dia em reuniões com o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, e autoridades iraquianas.

Os Estados Unidos retiraram as suas tropas de cidades iraquianas nesta semana, seguindo os termos do acordo bilateral de segurança que prevê a retirada total até 2012. Há preocupações de que o Iraque ainda não tenha alcançado os progressos políticos necessários para evitar a violência.

"O Iraque percorreu uma grande distância no último ano, mas ainda há um caminho difícil pela frente para encontrar paz duradoura e estabilidade", afirmou Biden.

"Ainda há medidas políticas a serem tomadas. Os iraquianos devem usar o processo político para resolver as suas diferenças. Estamos prontos para ajudar nesse processo."

Horas depois da fala do vice norte-americano, simpatizantes do clérigo radical Moqtada al-Sadr desfilou em subúrbio pobre de Bagdá, cantando refrões anti-EUA, protestando contra a visita de Biden.

Autoridades norte-americanas afirmaram que Biden havia usado os seus encontros no Iraque para frisar às autoridades do país que o progresso dependeria de os iraquianos encontrarem as suas próprias soluções. O premiê Maliki costuma ser acusado de agir devagar com o processo de reconciliação.

"Foi direto e honesto", afirmou uma autoridade norte-americana.

Entre os temas discutidos, estiveram disputas territoriais, integração de milícias pró-governo na política institucional e o equilíbrio entre governos central e locais.

"Os inimigos do Iraque querem retomar a violência interna. Eles falharão", declarou Biden.

MANIFESTAÇÕES

Em reação à visita de Biden, o gabinete de Maliki divulgou um comunicado defendendo os feitos do governo para a reconciliação.

O premiê buscou o apoio dos sunitas ao reprimir milícias xiitas no ano passado e ao anistiar milhares de presos sunitas.

No entanto, a situação é diferente quando o tema é reconciliação com os integrantes do partido banido de Saddam Hussein.

"O primeiro-ministro enfatizou que o Iraque está comprometido com o projeto de reconciliação nacional", afirmou o comunicado. "Conduto, o Partido Baath não tem conexão com a reconciliação nacional, está proibido, por ser responsável pela destruição pela qual o Iraque tem passado."

Centenas, talvez milhares, de moradores de Sadr City, em Bagdá, cantaram "abaixo os Estados Unidos" nesta sexta-feira e queimaram bandeiras norte-americanas, em protesto por causa da visita de Biden. Uma manifestação menor ocorreu em Kerbala, no sul xiita.

(Reportagem adicional Sattar Rahim)

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