Presidente do Irã defendeu caráter pacífico do programa e assegurou que armamentos "vão contra a moralidade humana"

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu nesta quinta-feira (12) o caráter pacífico do programa nuclear de seu país durante uma visita ao Equador - a última parada de sua viagem pela América Latina -, onde recebeu o apoio de seu líder, Rafael Correa. "Todos sabem que o Irã não está tentando fabricar bombas atômicas", disse Ahmadinejad em entrevista coletiva ao lado de Correa no Palácio Presidencial.

Giro pela América Latina:
No Equador: Ahmadinejad reúne-se com Correa ao fim da viagem
Em Cuba: Ao lado de Raúl Castro, Ahmadinejad decreta fracasso do capitalismo
Na Nicarágua: Ahmadinejad participa de posse de Ortega para segundo mandato
Na Venezuela: Líder do Irã diz que acusações sobre programa nuclear são 'piada'

Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad encerrou série de viagens no Equador ao lado de Rafael Correa
Reuters
Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad encerrou série de viagens no Equador ao lado de Rafael Correa

O líder iraniano assegurou que esses armamentos "vão contra a moralidade humana" e que o problema das "potências hegemônicas com o Irã não é seu programa nuclear", mas seu progresso e independência. Estados Unidos e Europa suspeitam que o programa nuclear iraniano tem fins militares, e para dissuadir Teerã de seguir adiante planejam impor novas sanções. "Eles decidiram nos pressionar mais e insultam nosso país", disse Ahmadinejad.

Correa defendeu seu convidado ao ressaltar que o Irã sempre indicou que seu programa atômico é pacífico, e reforçou: "nós confiamos no Governo do Irã". O líder equatoriano questionou os relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) porque, segundo sua opinião, se baseiam em informações "dos serviços secretos de países que sempre tentaram isolar e pressionar o Irã", e pediu que sejam modificados os "métodos" de pesquisa dessa entidade. "O Irã pode contar com o total respaldo e o apoio do Equador para que se conheça a verdade", prometeu Correa.

Leia também: Líder do Irã diz que acusações sobre programa nuclear são 'piada'

Em seu último relatório, publicado em novembro passado, a AIEA assegurou que dispõe de informações "confiáveis", recebidas de vários serviços de inteligência, indicando que o Irã está desenvolvendo os trabalhos necessários para uma arma nuclear. A AIEA confirmou também que o país persa começou a enriquecer urânio a 20% em Fordo , uma usina fortificada contra ataques aéreos, no que EUA e França indicaram que não existe justificativa para enriquecê-lo a esse nível se os fins do programa são realmente pacíficos.

Nesta quinta-feira (12), Ahmadinejad evitou responder a perguntas específicas sobre o programa nuclear, tal qual fez durante o restante da viagem. Com sua estadia em Quito o presidente iraniano conclui sua quinta viagem pela América Latina, que o levou a Venezuela, Nicarágua e Cuba, países dirigidos, assim como o Equador, por líderes de esquerda com posturas críticas com relação aos EUA.

Os empresários equatorianos se queixaram de que a visita pode prejudicar o comércio de seu país com EUA e Europa, seus principais mercados, mas nas ruas da capital Ahmadinejad só encontrou apoio. Tanto na entrada da base aérea onde aterrissou como na Praça da Independência, onde fica o Palácio Presidencial, o líder iraniano foi recebido por dezenas de pessoas com cartazes que diziam, entre outras coisas, "morte ao imperialismo, viva a revolução iraniana!". Apesar das fortes medidas de segurança, Ahmadinejad saiu em um veículo com o teto aberto no qual ficou de pé para acenar, enquanto era cercado por guarda-costas e monitorado por um helicóptero militar.

Na entrevista coletiva, Ahmadinejad, que voltará nesta sexta-feira (13) a Teerã, repetiu suas críticas ao imperialismo e ao capitalismo, uma mensagem que vem transmitindo durante toda sua viagem. "A partir de agora, a América Latina não será mais o quintal dos Estados Unidos", afirmou o líder iraniano, antes de avaliar que "a administração americana está contra o nosso país há mais de seis décadas". Ahmadinejad e Correa também analisaram os diversos convênios agrícolas, tecnológicos, petrolíferos e de saúde, entre outros, que estão em vigência entre as duas nações. "A relação com o Irã obviamente goza de muito boa saúde, mas há muito por fazer", disse o líder equatoriano.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.