No dia do terremoto, militar desejou feliz aniversário à filha de seis anos pela internet

SÃO PAULO - O subtenente Raniel Batista de Camargos, 42 anos, usou a internet para desejar feliz aniversário à filha, Giovana, horas antes de perder sua vida no terremoto que atingiu o Haiti nesta terça-feira. Integrante da missão de paz da ONU comandada pelo Brasil, ele estava no Haiti desde junho de 2009 e voltaria para casa no próximo dia 28.

Luísa Pécora, iG São Paulo |

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Raniel Camargos, em foto publicada em redes sociais

Raniel Camargos, em foto publicada em redes sociais

Segundo a irmã do subtenente, Mary Camargos, na terça-feira Raniel telefonou a seu pai e disse que já estava "de malas prontas". "Ele era muito alegre, piadista, e brincou dizendo que a gente não ia aguentar ele aqui", contou.

Depois, Raniel utilizou o Skype para falar com os filhos, Giovana, que completava seis anos, e Luiz Gustavo, 2 anos e meio. As crianças moram em Lins (SP) com a mulher do militar, Heloísa Chagas Maia Camargos, que está muito abalada.

A irmã contou que Raniel, nascido em Patos de Minas (MG), já falava em ser soldado aos seis anos, quando gostava de estudar os Estados brasileiros e decorar suas capitais. Depois de ingressar na Polícia Militar, em 1989 ele foi à Escola de Sargentos das Armas de Três Corações e de lá fez carreira no Exército, passando por Brasília, Natal e São Paulo.

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Raniel estava no Haiti desde 2009
Raniel estava no Haiti desde 2009

No período que ficou em Botucatu, no interior paulista, entre 2002 e 2006, ele se tornou amigo de Danilo Barros. "Fazíamos churrascos, festas...ele era uma pessoa super companheira, gente fina, que ajudava os amigos", conta Barros. Os dois não se viam desde 2006, mas mantinham contato. "A gente estava combinando de se encontrar, porque ele ia voltar no mês que vem", lamentou.

Segundo Mary Camargos, seu irmão ficou muito feliz por poder participar da missão no Haiti. "Ele era muito solidário, gostava de resolver problemas, tentava ajudar", contou. "Por telefone, ele dizia que só quando teve contato com a realidade do Haiti é que ficou sabendo o que era pobreza".

Brasileiros mortos

O terremoto no Haiti já deixou outros 14 brasileiros mortos. Entre as vítimas, a médica sanitarista Zilda Arns, de 75 anos, fundadora da Pastoral da Criança, que cumpriria uma agenda de palestras na América Central.

Veja abaixo os nomes dos 14 militares mortos:

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