No Dia da Independência, Paquistão anuncia reforma em áreas tribais

Islamabad, 14 ago (EFE).- O presidente paquistanês, Asif Alí Zardari, anunciou hoje, por ocasião da celebração da Independência do país, uma reforma política e legal nas regiões tribais, castigadas pela pobreza e o fundamentalismo.

EFE |

"O pensamento que prega cada vez mais o extremismo, a violência e a insurgência em nome da religião, que esteve no auge no país, é uma negação direta dos valores sobre os quais o Paquistão foi fundado", declarou Zardari em discurso à nação, segundo a agência de notícias estatal "APP".

O presidente condenou o terrorismo e os recentes ataques a cristãos, e disse que o Paquistão "foi pensado por seus pais fundadores como um lar para os muçulmanos do sul da Ásia, onde a democracia, o constitucionalismo e o respeito aos direitos humanos reinassem".

Segundo um comunicado da Presidência, Zardari está ciente "do obsoleto sistema de administração" nas áreas tribais - conhecidas como Fata - há um século, em alusão à dominação dos britânicos na região.

Por isso, seu porta-voz, Farhatulah Babar, disse que ontem à noite foi aprovado um pacote de medidas para evitar as detenções arbitrárias, implantar um Alto Tribunal com as mesmas competências dos provinciais e estender a atividade dos partidos nacionais nessas regiões.

"Os dias de monopólio dos partidos religiosos para fazer política do púlpito da mesquita e a exclusão dos partidos seculares acabaram", afirmou o porta-voz.

As sete demarcações da região, seis delas fronteiriças com o Afeganistão e que abrigam grande parte da população pashtun do Paquistão, estiveram fora do controle do Governo desde a independência e nelas se refugiam membros da insurgência talibã e da rede terrorista Al Qaeda.

Nem a Administração política nem as forças de segurança têm presença significativa nas regiões tribais, território onde estão os principais redutos talibãs, especialmente no Waziristão do Sul.

As celebrações pela Independência paquistanesa, declarada em 14 de agosto de 1947 após a saída do Império Britânico e a traumática partilha do subcontinente, foram iniciadas ontem à noite e continuam esta manhã nas principais cidades do país. EFE igb/rr

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