No dia da entrega do Nobel, mídia chinesa critica farsa ocidental

Jornal dirigido por Partido Comunista condena premiação do dissidente chinês Liu Xiaobo, que acontece nesta sexta-feira

EFE |

Horas antes da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, na Noruega, a mídia chinesa acusou nesta sexta-feira o Ocidente de tentar impor valores estrangeiros ao país e colocá-lo numa situação de risco. O prêmio será concedido ao dissidente chinês Liu Xiaobo, que está preso.

"Hoje em Oslo, na Noruega, será encenada uma farsa: 'O Julgamento da China'", escreveu em editorial o popular tabloide Global Times, que é dirigido pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista.

"O Comitê Nobel se nega a embarcar em uma viagem para experimentar o pensamento chinês e, em vez disso, insiste que a China se perderá. Este julgamento ignorante é elogiado no Ocidente, mas é uma vergonha que o pensamento ocidental, um dia alimentado por grandes pensadores como Rousseau e Hegel, tenha caído na fossilização política atual", diz o artigo.

AFP
Foto de Liu Xiaobo é visto em um centro do Prêmio Nobel em Oslo, na Noruega

No Natal do ano passado a China colocou Liu na prisão por 11 anos, acusando-o se subversão do poder do Estado, por ele ser o autor principal da Carta 08, um manifesto pedindo reformas democráticas no país.

A segurança foi reforçada em Pequim, incluindo os arredores do apartamento de Liu, a Praça Tiananmen (da Paz Celestial) e a embaixada da Noruega. A polícia dispersou um grupo de diplomatas alemães que tentou visitar a casa de Liu, onde estaria sua mulher, Liu Xa, ainda sob prisão domiciliar.

O governo chinês ficou furioso com a decisão do Comitê do Nobel de premiar um homem que considera um criminoso e subversivo. A disputa com os responsáveis pela premiação se transferiu para o campo da diplomacia.

O comitê defendeu na quinta-feira a concessão do Nobel a Liu, dizendo que se baseou em "valores universais" e rejeitando a acusação do governo chinês de que esteja tentando impor ideias ocidentais ao país.

A China exerceu seu poder econômico para conseguir apoio a um boicote da cerimônia de entrega do Nobel. O "Global Times" destaca a recusa de 19 nações (entre elas a China) em assistir à cerimônia, e assinala que "a maioria dos países em desenvolvimento se nega a participar da cerimônia de hoje, a melhor indicação do inesperado apoio moral que a China ganhou no mundo".

Entre os países que se negaram a participar da cerimônia estão Rússia, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Sudão, Vietnã, Cuba, Venezuela e Cazaquistão. O artigo conclui assegurando que a China "se encontra em um vigoroso processo de reforma e abertura pelo qual dificilmente poderia ser dito que está pior que os países ocidentais". No entanto, o comitê que organiza o Nobel afirmou que alguns países que haviam recusado o convite para a cerimônia resolveram voltar atrás. Geir Lundestad, diretor do Intituto Nobel, disse que Colômbia, Sérvia, Filipinas e Ucrânia estarão representados. Já a Autoridade Palestina mudou de opinião e desistiu de participar. Segundo o Instituto Nobel, os países ausentes serão menos de 20.

O diário também informa que residentes chineses na Noruega planejam organizar nesta sexta-feira uma manifestação de protesto contra o Oslo City Hall (onde a cerimônia do Nobel da Paz será realizada).

Com Reuters e EFE

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