No Congresso dos EUA, Sotomayor explica comentário racial

WASHINGTON - Sonia Sotomayor, indicada para a Suprema Corte dos Estados Unidos pelo presidente Barack Obama, defendeu uma de suas declarações mais polêmicas nesta terça-feira, afirmando que nunca quis sugerir que uma mulher de origem hispânica seria melhor como juiz do que um homem branco.

Reuters |


Sotomayor se prepara para testemunhar em audiência
no Senado, nesta segunda-feira

Cotada a se tornar a primeira juíza hispânica na principal corte dos EUA, Sotomayor enfrentou uma dura sabatina no Comitê Judicial do Senado, que questionou seus pontos de vista sobre vários temas, desde questões raciais e aborto até a lei antitruste.

Os democratas consideram histórica a decisão de Obama indicar Sotomayor e enfatizam a sua longa carreira como promotora pública e desembargadora. Mas os republicanos concentram-se em acusações de que ela poderá ser tendenciosa nas decisões.

Os republicanos buscaram munição em um discurso proferido por ela em 2001, no qual disse que uma "latina sábia" poderia chegar a uma decisão judicial melhor do que um homem branco. Também houve uma decisão da corte de apelações na qual ela defendeu o direito de uma cidade de cancelar concursos para bombeiros que não tivessem candidatos suficientes provenientes das minorias.

Ao explicar seus comentários sobre a "latina sábia" na audiência para a sua confirmação no cargo, Sotomayor disse ter sido mal compreendida e que queria apenas inspirar jovens hispânicos e mulheres a entrarem para o Direito.

"Não acredito que nenhum grupo étnico e racial ou de gênero tenha vantagem no julgamento justo", afirmou ela, acrescentando que todas as pessoas têm oportunidades iguais para serem bons ou maus juízes "independentemente de sua procedência ou experiência de vida".

A maioria dos observadores diz que a aprovação de Sotomayor como uma dos nove integrantes da Suprema Corte está praticamente garantida. Mas ela enfrentava um duro questionamento dos republicanos, em especial sobre o caso dos bombeiros. No final, a decisão dela, nesse caso, foi derrubada pela Suprema Corte.


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