No caminho da cruz em Sydney, o Papa se preocupa com a crise anglicana

Uma gigantesca via-crúcis transformou a cidade de Sydney nesta sexta-feira, por ocasião das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), trilhada pelo Papa Bento XVI, que expressou, antes, preocupação com a crise anglicana.

AFP |

Bento XVI abriu o caminho da cruz na tarde de hoje com uma prece no átrio da catedral.

Antes, o chefe da Igreja católica, como o faz em suas viagens, encontrou-se com representantes de outras religiões cristãs ou não.

Diante de protestantes, ortodoxos e anglicanos que representam o conjunto de fiéis na Austrália, Bento XVI reconheceu que o ecumenismo chegou a um "ponto crítico".

A ordenação de mulheres como bispos, aceita por várias Igrejas anglicanas - entre elas a Igreja australiana - e a de um bispo declaradamente homossexual, em 2003 nos Estados Unidos, apesar da oposição de uma parte do clero e dos fiéis, deixou a fé anglicana à beira de um cisma.

Os bispos anglicanos de todo o mundo estão atualmente reunidos na Grã-Bretanha, em Canterbury (sudeste), para tentar soldar novamente sua unidade.

Recebendo em seguida representantes muçulmanos, judeus, budistas, hinduístas e zoroastristas, o Papa sublinhou que as religiões poderiam ser "uma força de unidade" mais que um "fator de divisão".

Evocando sem enumerá-las "as formas sinistras e indiscriminadas de violência" que ameaçam o mundo, estimou que "a voz em uníssono de todas as pessoas inspiradas pela religião é um estímulo para que as nações e as comunidades resolvam seus conflitos por meios pacíficos, com pleno respeito à dignidade humana".

O caminho da cruz, que põe em cena a história bíblica da condenação e da morte de Cristo, teve a participação de atores numa cenografia sugestiva. Os peregrinos das JMJ e a população de Sydney acompanharam o espetáculo através de telas gigantes.

As diferentes estações dessa vica-crúcis foram adaptadas a locais emblemáticos de Sydney, entre eles o pátio do museu de arte moderna, a esplanada diante da célebre Ópera e o Darling Harbour.

Alguns manifestantes que exigiam desculpas do Papa e da hierarquia da Igreja australiana pelos abusos sexuais cometidos por padres tentavam se aproximar do átrio da catedral no momento em que o Papa estava.

Três pessoas levavam cartazes com os dizeres "Os abusos sexuais do clero roubam vidas. Calar é se tornar cúmplice", sendo depois afastados pela polícia.

O Papa poderá abordar neste sábado a questão dos abusos sexuais na Igreja durante missa co-celebrada por bispos e seminaristas australianos.

Bento XVI almoçou com 12 jovens delegados das JMJ vindos de várias partes do mundo. Ao final, contaram que o Papa conversou com eles em inglês e perguntou sobre a situação de cada um.

Armando Cervantes, 27 anos, filho de imigrantes mexicanos instalados na Califórnia, ofereceu ao Papa um boné do Mickey.

À noite, Bento XVI encontrou-se com um grupo de jovens em dificuldade acolhidos numa comunidade de reinserção. Convidou-os a não adorar "falsos deuses" como "os bens materiais, o amor possessivo e o poder".

Domingo, o Papa vai celebrar missa ao ar livre. Ele cumprimentará também o presidente do Timor Leste, Jose Ramos-Horta, que está em Sydney para as JMJ.

Ramos Horta precisou à AFP que queria "agradecer" a Bento XVI pela atenção que lhe demonstrou quando estava gravemente ferido, no dia 11 de fevereiro, depois de um ataque de soldados rebeldes contra sua casa.

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