Costa do Sauípe (Bahia), 17 dez (EFE).- Os líderes reunidos durante dois dias no Brasil traçaram o caminho para a criação da União da América Latina e do Caribe no início de 2010, dois séculos após o início do processo de independência colonial.

"Tomara que possamos avançar e formar a União da América Latina e do Caribe 200 anos depois de nossa independência", apontou hoje, em coletiva de imprensa, o presidente do México, Felipe Calderón.

"Demoramos muito, mas como disse (o presidente da Venezuela, Hugo) Chávez, antes tarde do que nunca, e isso é o que vamos fazer", enfatizou Calderón após a Cúpula da América Latina e do Caribe.

Segundo ele, depois da próxima reunião, que será em fevereiro de 2010 no México, os 33 governantes da região voltarão a se juntar na Venezuela ao ano seguinte.

Na coletiva conjunta com outros sete líderes da região, Calderón se mostrou convencido de que é possível "avançar verdadeiramente na grande aspiração latino-americana" de construir a unidade "sobre bases políticas, sociais, econômicas e culturais para fazer valer a força da região".

Segundo Calderón, o futuro organismo multilateral, que englobará países do continente americano desde o Rio Bravo até a Patagônia, não funcionará com cúpulas ocasionais, mas com uma estrutura e funções permanentes.

A iniciativa, impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e apoiada pelos líderes da região, se viu favorecida pelo fortalecimento do Grupo do Rio.

Os membros deste mecanismo - que após a incorporação ontem de Cuba reúne quase todos os países da região - decidiram realizar encontros presidenciais a cada dois anos e reuniões anuais de chanceleres.

Os líderes aceitaram, além disso, o oferecimento do Chile para abrigar as reuniões de um grupo de trabalho "que permita aos países do continente americano articular uma estratégia perante a crise financeira e econômica no mundo e em particular na América Latina".

Calderón ressaltou o fato de que este grupo trabalhe sob a condução do Chile, país que é visto na região como um modelo de boa gestão das finanças públicas.

As conclusões dessa equipe "servirão aos países latino-americanos que participam do Grupo dos Vinte (G20, que reúne as nações mais ricas e as principais emergentes) para esboçar propostas conjuntas", explicou Calderón, em referência a México, Argentina e Brasil.

Antes da próxima reunião do G20, o bloco latino-americano se reunirá para levar uma postura comum ao encontro, que incluirá "um saneamento rápido para deter a hemorragia financeira, a queda dos mercados e os riscos financeiros". EFE mf/rr

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