No Brasil, crianças pobres têm mais chances de morrer que ricas, diz estudo

Washington, 6 mai (EFE).- A ONG Save the Children divulgou hoje um relatório que afirma que uma criança pobre no Brasil tem três vezes mais chances de morrer que uma que é rica por causa de condições sanitárias adequadas e de assistência médica.

EFE |

Segundo o relatório, mais de 200 milhões de crianças com menos de cinco anos de países em desenvolvimento não recebem o tratamento médico básico que necessitam.

O texto, publicado anualmente no site da instituição com o título de "A Situação das Mães no Mundo em 2008", afirma que cerca de 10 milhões de crianças desta faixa etária morrem a cada ano no mundo, a maior parte delas em países menos desenvolvidos, nos quais as crianças chegam a ter três vezes mais chances de perder a vida que uma que é rica.

A Suécia, a Noruega e a Islândia são, nesta ordem, os melhores países do mundo para se ter um filho, enquanto o Níger é o pior na classificação de nações, cujas últimas posições são quase todas ocupadas por países africanos.

Além disso, o relatório analisa pela primeira vez especificamente a situação sanitária em 55 países em desenvolvimento que reúnem 60% da população infantil com menos de cinco anos e onde acontecem 83% das mortes infantis.

Em oito destes países, com as Filipinas à frente, 60% das crianças recebem tratamento médico básico, que inclui cuidados relacionados ao tratamento pré-natal e a vacinação.

Em 30 dos 55 países analisados, menos da metade das crianças recebem o atendimento que necessitam. A Etiópia, onde 80% das crianças não têm acesso a tratamento médico básico, é a pior desta lista.

"Quando um menino tem uma doença leve nos Estados Unidos vai ao médico ou compra um remédio na farmácia, mas esta não é a realidade de milhões de mães nos países mais pobres e outras comunidades, onde cerca de dez milhões de menores morrem a cada ano", diz a atriz Jessica Lange, embaixadora da organização.

O relatório também analisa a taxa de mortalidade infantil nestes 55 países e indica que em doze deles as crianças com menos recursos têm chances três vezes maiores de morrerem que as mais providas.

Além do Brasil, Bolívia, Camboja, Egito, Índia, Indonésia, Marrocos, Nigéria, África do Sul, Filipinas e Peru estão entre eles.

Segundo a "Save the Children", 60% das 10 milhões de crianças que morrem a cada ano no mundo poderiam ser salvas se tivessem acesso a tratamento médico básico adequado próximo a suas casas.

"A distância entre a casa e a clínica é a maior dificuldade nos países em desenvolvimento", declarou o presidente da ONG, Charles MacCormack. EFE mr/rr/fal

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