O vice-presidente americano Dick Cheney expressou nesta quarta-feira no Azerbaijão o interesse profundo e constante dos Estados Unidos pela segurança em toda a região do Cáucaso, à sombra da recente invasão russa na Geórgia.

"O presidente George W. Bush me enviou aqui com uma mensagem clara e simples para os povos do Azerbaijão e de toda a região: os Estados Unidos têm um interesse profundo e constante em seu bem-estar e sua segurança", declarou Cheney à imprensa depois de uma reunião com o presidente azeri, Ilham Aliev.

O vice-presidente americano comentou que sua presença na região acontece "na sombra da recente invasão russa na Geórgia, um ato claramente condenado pela comunidade internacional".

O número dois dos Estados Unidos também defendeu o aumento do número de corredores energéticos na região.

"A segurança energética é essencial para todos nós, e esse assunto está se tornando cada vez mais urgente", avisou.

"Temos que trabalhar com o Azerbaijão e com os demais países do Cáucaso e da Ásia Central para criar corredores de exportação de energia suplementares", prosseguiu.

Em Washington, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deve confirmar a liberação de uma verba de um bilhão de dólares para a Geórgia. Washington já enviou a Tbilisi cerca de 30 milhões de dólares em ajuda humanitária depois do conflito com a Rússia.

Bacu é a primeira etapa da viagem de Cheney, que tem como objetivo tranqüilizar os aliados de Washington na região e expressar o apoio dos Estados Unidos à Geórgia na crise que opõe esta ex-república soviética à Rússia.

O vice-presidente americano chega na quinta-feira a Tbilisi, de onde seguirá para Kiev, e depois para a Itália.

Os Estados Unidos estão reavaliando suas relações com a Rússia, e a Casa Branca não descartou eventuais sanções.

Em Moscou, o porta-voz da chancelaria russa, Andrei Nesterenko, exprressou nesta quarta-feira a esperança de que a visita de Cheney a Tbilisi ajude os dirigentes dos Estados Unidos a "reavaliar a situação", e a "encontrar medidas para corrigi-la".

Na véspera, o presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, qualificou seu colega georgiano, Mikhail Saakashvili, de "cadáver político" e disse que já não o considera mais o presidente da Geórgia. Ele também pediu a Washington que reveja suas relações com o governo georgiano.

Tbilisi criticou estas declarações e acusou Moscou de querer "minar o legítimo governo georgiano".

Nesta quarta-feira, o Parlamento georgiano levantou o estado de guerra instaurado em 9 de agosto, mas proclamou o estado de emergência nas regiões do país onde forças russas ditas de manutenção da paz seguem posicionadas.

Os ocidentais já exigiram que a Rússia retire estas forças.

Em 26 de agosto, a Rússia reconheceu a independência dos territórios separatistas georgianos da Ossétia do Sul e da Abkházia, suscitando as críticas da comunidade internacional.

bur/yw

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.