Aniversário de ataques é marcado pelas polêmicas causadas por ameaça de queima do Alcorão e plano de construção de mesquita em NY

O presidente americano, Barack Obama, reafirmou durante cerimônia de homenagem às vítimas dos ataques do 11 de Setembro, que completam nove anos neste sábado, que os Estados Unidos, apesar da polarização dos últimos dias, "não estão nem nunca estão em guerra contra o Islã". Ele também rejeitou que o aniversário dos ataques do 11 de Setembro sirva para promover a intolerância religiosa e pediu a unidade do país.

"Como americanos, não estamos e jamais estaremos em guerra com o Islã", disse Obama, que participa da cerimônia em memória do 11/9 no Pentágono, em Washington, onde caiu um dos aviões sequestrados, o 77 da American Airlines, que deixou 184 mortos.

"Nós não fomos atacados por uma religião naquele dia de setembro. Foi a Al-Qaeda, um grupo infeliz de homens que desfiguram a religião", disse o presidente. "Nós condenamos a intolerância e o extremismo no mundo todo, e defendemos os direitos fundamentais de todos os homens e mulheres, incluindo o direito a praticar livremente sua religião", disse o presidente americano, em um dia no qual estão previstos protestos em Nova York contra a construção de uma mesquita nas proximidades de onde se localizavam as Torres Gêmeas.

"A melhor homenagem que podemos fazer (às vítimas), nossa melhor arma, o que mais temem nossos adversários, é continuar sendo o que somos, renovar nosso propósito comum, continuar defendendo a personalidade de nossa nação", afirmou.

Os EUA marcam neste sábado o nono aniversário dos ataques em meio às polêmicas causadas pela ameaça de um pastor de queimar o Alcorão e pelo plano de construção de uma mesquita perto do Marco Zero de Manhattan.

Além da cerimônia no Pentágono, os EUA preparam uma série de eventos para marcar a data. O maior deles é o de Nova York, onde parentes leram os nomes das pessoas mortas quando aviões atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center. O vice-presidente Joe Biden participou dessa cerimônia.

A esposa de Obama, Michelle, participa na Pensilvânia de um evento ao lado da ex-primeira dama Laura Bush no local em que será construído o memorial das vítimas do voo 93 da United, que deve estar pronto no próximo ano, no aniversário de 10 anos do atentado. O avião caiu em um campo perto de Shanksville, deixando 40 mortos. Emocionadas, as duas primeiras-damas renderam uma homenagem aos passageiros, que derrubaram o avião e impediram que os quatro seqüestradores o fizessem chegar a seu destino.

"Eles vinham de diferentes caminhos e tinham vidas distintas, mas quando chegou o terrível momento de tomar essa decisão impossível, todos mostraram uma grande coragem. Ligaram para suas casas, explicaram o que fariam e lhes disseram que tudo ia ficar bem", disse Michelle. "Quando chegou o momento agiram em uníssono e mudaram o curso da história. Não sabiam o que salvariam, e mesmo assim decidiram dar sua vida por isso", comentou.

Quatro aviões foram sequestrados na manhã de 11 de setembro de 2001 nos EUA por 19 militantes em ataques que mataram quase três mil pessoas.

Manifestações

Após as celebrações oficiais, devem ocorrer manifestações a favor e contra os planos de construção de uma mesquita e um centro de atividades islâmicas nas proximidades do local do ataque em Nova York. A manifestação contrária aos planos de construção deve ser atendida por políticos ligados ao partido Republicano e à administração anterior, de George W. Bush.

Alguns parentes de vítimas do ataque manifestaram-se contra os planos enquanto outros o defendem como um símbolo do compromisso americano com a liberdade de expressão. O pastor Terry Jones , o pastor de uma pequena igreja da Flórida que ganhou manchetes em todo o mundo após anunciar planos para queimar um exemplar do Alcorão, viajou para Nova York .

Após deixar em suspenso a ameaça de queima, Jones garantiu neste sábado em entrevista a uma rede de televisão que sua igreja não queimará "nem hoje nem nunca" exemplares do Alcorão. "Definitivamente não vamos queimar o Corão. Nem hoje, nem nunca", confirmou o polêmico pastor durante um discurso no programa "Today", da "NBC", em Nova York.

Ele pretende se encontrar na cidade com o clérigo responsável pelo projeto da mesquita, Feisal Abdul Rauf, para discutir o assunto e tentar persuadi-lo a mudar a localização do projeto. Rauf disse estar aberto a "considerar o dialogo com qualquer um seriamente comprometido com a paz", mas disse não ter planos de se encontrar com Jones .

*Com EFE, AFP e BBC

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