No 100º dia de governo, Obama afirma que começou a reconstruir a América

Barack Obama afirmou nesta quarta-feira que começou a manter a grande promessa de reconstruir os Estados Unidos, mas alertou que os desafios de seus cem primeiros dias de mandato não chegaram ao fim.

AFP |

Como para confirmar suas palavras, os americanos receberam a notícia de que a atividade econômica havia encolhido 6,1% no primeiro trimestre de 2009 e que a gripe suína causara sua primeira morte no país, uma criança de menos de dois anos.

"Esta é evidentemente uma situação preocupante, grave o bastante para que tomemos o máximo de precauções", declarou Obama na Casa Branca. Ele pediu que todos se mantenham vigilantes ante uma doença que teve 91 casos confirmados nos Estados Unidos e preparou os americanos para a possibilidade de medidas mais radicais, como o fechamento de escolas.

O presidente cumpriu, em seguida, o ritual dos 100 dias, participando de um ato público em Saint Louis (Missouri, centro).

Ele reavivou o espírito da campanha, respondendo às questões de americanos comuns reunidos em uma escola do Missouri onde, dois dias antes da eleição presidencial de 4 de novembro, ele ainda tentava conquistar eleitores.

"Hoje, neste 100º dia após minha posse, vim dizer a vocês, americanos, que começamos a nos recuperar, a nos mover e que nós começamos a reconstruir a América", disse, retomando um dos principais pontos de seu discurso de posse do dia 20 de janeiro.

À noite, e de retorno a Washington, ele deverá conceder uma entrevista coletiva à imprensa às 20h00 (21h00 de Brasília).

Obama deixou claro que não aprova esta marca arbitrária de 100 dias, tão cara à imprensa americana. Mas ele tratou de tirar o máximo de proveito do momento. Lembrou que foi eleito com a promessa de mudança e que encontrou dificuldades de uma magnitude "sem precedente".

Ele citou as medidas tomadas para retirar o país da pior recessão desde os anos 1930. Ressaltou a ruptura com a era George W. Bush, com o anúncio do fechamento do campo de Guantánamo, a proibição da tortura e o calendário de retirada do Iraque.

Obama defendeu o que alguns especialistas consideram o programa de reformas mais ambicioso desde os anos 1930, nos âmbitos da educação, da saúde, da energia e das finanças.

"Após 100 dias, estou feliz com o progresso feito, mas não estou satisfeito. Tenho confiança no futuro, mas não estou satisfeito com o presente", disse, referindo-se ao corte de mais de cinco milhões de postos de trabalho desde o início da recessão, em dezembro de 2007, e aos milhões de americanos incapazes de pagar por um plano de saúde ou por seus estudos.

"Vemos uma luz no horizonte", assegurou.

Mas "ainda temos diante de nós muitas escolhas, decisões e trabalhos difíceis", alertou.

Em um momento importante para a economia, Obama disse também que não sabe se a montadora automobilística Chrysler poderá escapar da falência. Novas decisões são aguardadas em breve para os bancos.

Entretanto, apesar da oposição dos adversários republicanos, dos empecilhos para a formação de seu governo e das polêmicas sobre os salários de Wall Street ou da mudança da política antiterrorista dos Estados Unidos, o exercício do poder não diminuiu a popularidade de Obama: 58% dos americanos aprovam suas ações, segundo um estudo da Universidade Quinnipiac.

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