Nigerianos protestam contra preço de combustível pelo segundo dia

Ao menos três foram mortos pela polícia na segunda-feira; país paralisa atividades contra fim do subsídio aos combustíveis

iG São Paulo |

Dezenas de milhares de nigerianos foram às ruas pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira e muitos não trabalharam em todo o país para tentar forçar o presidente Goodluck Jonathan a revogar a retirada de subsídios que dobrou o preço da gasolina.

AP
Jovens em Lagos, Nigéria, queimam destroços em protesto pela decisão do governo de retirar o subsídio sobre os combustíveis
Em 1º de janeiro, o maior produtor de petróleo da África pôs fim aos subsídios sobre as importações de combustível, que os cidadãos viam como o único benefício que tinham do Estado, elevando o preço da gasolina para 150 nairas (0,93 dólar) o litro. A supressão provocou um forte aumento dos preços do combustível, que afeta a maior parte dos nigerianos em relação ao transporte e à alimentação dos geradores de eletricidade.

Os protestos no país nesta terça-feira foram quase do mesmo tamanho dos de segunda-feira . As ruas do centro comercial de Lagos, famosas por seus engarrafamentos, estavam praticamente vazias. Mas a resolução de Jonathan não enfraqueceu.

Saiba mais: Policiais e manifestantes entram em choque durante greve na Nigéria

"A greve é o primeiro teste verdadeiro em termos políticos para a presidência de Jonathan. Eles (os manifestantes) escolheram a questão e o momento", disse Antony Goldman, chefe da PM Consulting, com sede em Londres, e especialista na Nigéria.

"Se forem bem-sucedidos, as perspectivas de reforma em outras áreas delicadas - a Constituição, petróleo e gás, receita pública - melhoram. Se os grevistas vencerem, a credibilidade do governo fica muito danificada. Se as exportações de petróleo não forem afetadas, o governo espera que a coisa acabe por si só."

Os trabalhadores na área de petróleo também entraram em greve e escritórios de empresas internacionais como Shell e Exxon Mobil foram fechados. Mas a Shell e a empresa estatal de petróleo disseram que a produção não foi afetada.

A violência até agora foi limitada para os padrões nigerianos. Na segunda-feira, a polícia deixou ao menos três mortos a tiros.

Nesta terça-feira, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e disparou para o ar em Bauchi, norte do país, para dispersar manifestantes "nos bairros de Wunti e Railway", declarou Lawanti Maleka, um morador da cidade. "Até agora não há informações sobre vítimas ou prisões", acrescentou.

Além da greve, a Nigéria - o país mais habitado da África (160 milhões de habitantes) - observa há várias semanas um aumento dos ataques islamitas contra cristãos.

Em Benin, no sudoeste da Nigéria, uma multidão deixou cinco mortos e ao menos seis feridos durante ataque contra a mesquita central da cidade e uma escola corânica, disse o porta-voz da Cruz Vermelha Nwakpa O. Nwakpa.

As autoridades tentaram controlar a violência na Nigéria, um país dividido entre o sul de maioria cristã e o norte muçulmano. Entretanto, uma seita radical islâmica chamada Boko Haram começou a atacar especificamente os cristãos no noroeste nigeriano, levando um importante líder cristão a conclamar os fiéis a se defender.

*Com Reuters, AFP e AP

    Leia tudo sobre: nigériapetróleogreve

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG