Nigeriano tentou atacar avião, diz governo dos EUA

Por Kevin Krolicki DETROIT, EUA (Reuters) - Um nigeriano, possivelmente ligado à rede Al Qaeda, de 23 anos, estava sendo mantido em custódia neste sábado, depois que tentou detonar um material explosivo em avião comercial dos Estados Unidos, quando se aproximava da cidade de Detroit, disseram autoridades norte-americanas.

Reuters |

O suspeito sofreu graves queimaduras e foi dominado por passageiros e tripulantes do voo da Delta Air Lines que partiu de Amsterdã no dia de Natal. Os passageiros, incluindo dois que ficaram levemente feridos, desembarcaram com segurança.

"Acreditamos que foi uma tentativa de terrorismo", disse uma autoridade da Casa Branca à Reuters.

Investigadores estavam tentando comprovar as alegações do homem de que mantém vínculos com a Al Qaeda.

O congressista Peter King, de Nova York, principal deputado republicano no Comitê de Segurança Interna da Câmara dos Representantes, disse que o material explosivo era "razoavelmente sofisticado" e o suspeito é um nigeriano de 23 anos.

King disse à TV a cabo CNN que o nome do suspeito é citado em um arquivo por ter conexões com militantes.

"Pelo que entendo, ele de fato tem conexões com a Al Qaeda, certamente conexões com terroristas extremistas e seu nome apareceu muito rapidamente em uma pesquisa."

King disse que os investigadores estão apurando se o incidente era parte de um complô maior. "Há um alerta em grande escala para garantir que isto não é parte de um esquema mais amplo", disse ele.

O presidente dos EUA, Barack Obama, que está de férias com a família no Havaí, está recebendo informações atualizadas com regularidade e instruiu autoridades para aumentarem a segurança nas viagens, informou a Casa Branca. Imagens de TV mostraram longas filas de controle no aeroporto de Detroit neste sábado.

Esse é também o último de uma série de complôs relacionados a terrorismo nos EUA nos últimos meses. Foram militantes da Al Qaeda que desfecharam os ataques de 11 de setembro de 2001 no país.

Citando autoridades dos EUA, o Wall Street Journal afirmou que o nigeriano havia dito aos investigadores que operativos da Al Qaeda no Iêmen lhe haviam entregue o artefato e instruções de como detoná-lo.

Mas a NBC, citando autoridades antiterrorismo, informou que ele alegou ter agido por conta própria.

Autoridades federais identificaram o homem como sendo Abdul Farouk Abdulmutallab, segundo jornais dos EUA. As emissoras ABC News e NBC News afirmaram que ele cursa a University College London, onde estudava engenharia.

Abdulmutallab seria filho de um importante banqueiro da Nigéria, segundo disse à Reuters um membro da família.

"É meu irmão", disse à Reuters por telefone Abdul Mutallab, filho de Umaru Mutallab, um banqueiro de Katsinado, no Norte da Nigeria.

Um diário da Nigéria citou membros da família dizendo que Umaru Mutallab estava incomodado com as "opiniões religiosas extremas" do filho e havia avisado à embaixada dos Estados Unidos na capital Abuya e às agências de segurança nigerianas seis meses atrás.

REFLEXO EM LONDRES

Em uma operação relacionada ao incidente em Detroit, a polícia da Grã-Bretanha estava revistando lugares no centro de Londres neste sábado. Acredita-se que o homem passou algum tempo na Grã-Bretanha, como estudante, e as autoridades estão tentando verificar detalhes de suas atividades no país, disse uma fonte do contraterrorismo britânico.

A agência antiterrorismo da Holanda, a NCTb, informou que o homem pegou um voo da KLM de Lagos, na Nigéria, para Amsterdã, e passou por um controle de segurança quando estava em trânsito, no aeroporto de Schiphol, na capital holandesa.

A NCTb afirmou em um comunicado não poder descartar a possibilidade de que itens perigosos tenham sido levados a bordo, "especialmente objetos que a atual tecnologia do setor de segurança tem dificuldade para detectar, tais como detectores de metal ".

Os aeroportos europeus reforçaram os controles de segurança nos voos com destino aos EUA, como resultado do fracassado atentado.

O voo 253 da Northwest Airlines, empresa controlada pela Delta, partiu de Amsterdã na sexta-feira com 278 passageiros e se aproximava de Detroit, seu destino, quando o homem tentou detonar o dispositivo ou mistura, disseram autoridades dos

EUA.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou que estava ampliando a segurança nos aeroportos para voos domésticos e internacionais depois do incidente e alertou os passageiros que eles podem ter de passar por uma revista maior.

Um alto funcionário do departamento disse que há uma ampla gama de medidas de segurança disponíveis que podem ser adotadas, se necessário, desde cães farejadores de bombas a detecção de comportamento e outras técnicas já vistas ou não.

"A mescla é para que não sejam previsíveis, por isso os passageiros não estão vendo a mesma coisa nos aeroportos", afirmou o funcionário, que não quis dar mais detalhes.

Prevê-se que este fim de ano seja um dos mais movimentados do ano por causa das viagens da época de Natal. Fortes tempestades de inverno em boa parte da região central dos EUA já haviam provocado um grande número de cancelamentos e atrasos de voos.

O governo nigeriano ordenou que as agências de segurança investiguem o incidente e afirmou que vai cooperar integralmente com as autoridades norte-americanas.

"Todas as necessárias medidas de segurança estão em vigor na Nigéria. Qualquer passageiro, incluindo tripulantes, em qualquer avião está sujeito à mesma checagem de segurança", declarou um porta-voz da autoridade do setor aeroportuário do país.

O jornal The New York Times, citando uma alta autoridade da segurança Interna, informou que o artefato era feito de uma mistura de pó e líquido e era mais incendiário do que explosivo.

A autoridade disse que Abdulmutallab afirmou que estava com pó explosivo grudado em sua perna e usou uma seringa cheia de material químico para misturar com o pó, numa tentativa de causar uma explosão."

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