Nigeriano que tentou explodir avião é indiciado por seis crimes

Um tribunal na cidade de Detroit, nos Estados Unidos, acusou formalmente, nesta quarta-feira, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab em relação à tentativa de explodir um avião que ia para Detroit no dia de Natal. Entre as seis acusações contra Abdulmutallab estão tentativa de assassinato, tentativa de uso de armas de destruição em massa, tentativa de detonar explosivos e porte de armas de fogo.

BBC Brasil |


As autoridades afirmam que o nigeriano, de 23 anos, teria tentado explodir uma aeronave da Northwest Airlines que partiu de Amsterdã rumo a Detroit com mais de 300 pessoas a bordo, injetando químicos em um pacote de explosivos escondido embaixo de sua roupa. Segundo o texto, a bomba continha os explosivos PETN e TAPT , entre outros ingredientes.

O nigeriano está detido em uma prisão federal na cidade de Milan, no Estado americano de Michigan. Ele deve se apresentar a um tribunal de Michigan para ouvir as acusações nesta sexta-feira.

Ação

Ainda nesta quarta-feira, uma das mais importantes autoridades dos serviços de inteligência dos Estados Unidos prometeu agir após as críticas do presidente Barack Obama sobre falhas que permitiram o atentado frustrado.

O diretor do Departamento Nacional de Inteligência, Dennis Blair, disse que a comunidade de inteligência terá que acelerar seus esforços para prevenir novos ataques.

Obama havia dito na terça-feira que o serviço de inteligência do país possuía informações suficientes para impedir o embarque e interceptar o acusado de tentar explodir o avião que ia para Detroit.

"O governo tinha informação suficiente para desvendar o plano e potencialmente interromper esse ataque no dia de Natal. Mas nossos agentes de inteligência fracassaram em conectar os pontos que teriam colocado o suspeito em uma lista de proibição para embarcar", disse Obama depois de uma reunião com as principais autoridades de segurança no país.

Dennis Blair admitiu que houve falhas dos serviços de inteligência no caso e afirmou que "a mensagem do presidente" foi compreendida. "Recebemos e estamos nos movimentando para cumprir com os novos desafios", disse.

Blair acrescentou que as autoridades de inteligência fizeram "progressos consideráveis" na coleta e na análise das informações e para melhorar a colaboração entre os serviços, apesar de ainda ser preciso fortalecer sua capacidade de impedir "novas táticas" de ataque.

O cargo ocupado por Dennis Blair foi criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, em uma tentativa de melhorar a coordenação entre os serviços de inteligência.

Bomba

Segundo Obama, além de ter informações de que Abdulmutallab teria viajado ao Iêmen e se encontrado com extremistas no país, o serviço de inteligência dos Estados Unidos também sabia de outros "sinais de alerta".

AFP
Obama faz pronunciamento

Obama faz pronunciamento

Entre eles, o presidente disse os agentes sabiam que a Al-Qaeda na Península Ibérica estava buscando atingir outros alvos americanos não apenas no Iêmen, mas também nos Estados Unidos.

"Tínhamos a informação de que esse grupo estava trabalhando com um indivíduo que era conhecido - e que agora sabemos ser o indivíduo envolvido no ataque do Natal", afirmou.

De acordo com o presidente, não houve falha na coleta de informações, mas em "integrar e compreender a informação que já tínhamos".

Obama disse que a falha foi "potencialmente desastrosa" e criticou os profissionais que tiveram acesso às informações sobre Abdulmutallab.

"Eu aceito que a inteligência é imperfeita por natureza, mas está cada vez mais claro que a informação não foi completamente analisada ou alavancada", afirmou o presidente. "Isso não é aceitável e eu não vou tolerar."

Análises

As declarações de Obama na terça-feira foram feitas depois de autoridades americanas dos setores de inteligência, segurança e Justiça terem apresentado suas análises sobre a situação no país após a tentativa de ataque contra o avião da Northwest Airlines.

A expectativa era de que o presidente anunciasse um novo pacote de reformas na segurança, mas Obama apenas reforçou as mudanças já anunciadas após a tentativa de atentado.

Entre as novas medidas já em vigor está o maior controle de passageiros que passam ou partem de uma lista de 14 países. Esses passageiros estariam sujeitos a restrições mais severas como revistas manuais por policiais e inspeções de bagagem de mão.

A lista de países inclui Cuba, Irã, Sudão e Síria, que os Estados Unidos consideram patrocinadores do terrorismo, além de outros dez países - incluindo o Iêmen, onde Abdulmutallab teria recebido treinamento, e a Nigéria, país pelo qual o nigeriano passou em sua viagem para Detroit.

Falha

O nome do acusado pela tentativa de ataque, Umar Farouk Abdulmutallab, de 23 anos, foi analisado pelo governo americano em novembro, quando o pai dele comunicou à embaixada na Nigéria suas preocupações a respeito do filho.

O nome de Abdulmutallab estava em uma grande lista de monitoramento, com cerca de meio milhão de pessoas na base de dados, a chamada lista Tide (Terrorist Identities Datamart Environment).

Mas o nome nunca foi tirado da lista Tide para uma lista de monitoramento menor de pessoas que precisam passar por revista mais detalhada antes de entrar nos Estados Unidos ou até mesmo são proibidas de embarcar em voos para o país.

A Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) assumiu a responsabilidade pelo plano de explodir o avião que chegava a Detroit no dia de Natal, o que aumentou a preocupação em relação ao Iêmen, país onde o grupo está baseado.

As autoridades iemenitas anunciaram nesta quarta-feira a prisão de três supostos militantes da Al-Qaeda que foram cercados em uma operação policial.

Segundo a agência de notícias France Presse, entre os presos estaria Mohammed Al-Hanq, apontado como um líder local da Al-Qaeda.

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