Nigeriano que tentou explodir avião é condenado à prisão perpétua

Umar Farouk Abdulmutallab fracassou ao tentar acionar bomba escondida em sua cueca durante voo da Holanda para os EUA em 2009

iG São Paulo |

Uma juíza federal americana condenou nesta quinta-feira à prisão perpétua o nigeriano que tentou explodir um avião nos EUA no Natal de 2009, em uma missão da Al-Qaeda.

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AP
O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab em foto tirada em 2009

Umar Farouk Abdulmutallab se mostrou desafiante, assim como fez há alguns meses, quando admitiu ser culpado por todas as acusações relacionadas à tentativa de explodir um avião da Northwest Airlines durante o voo 253 - com cerca de 300 a bordo - levando uma bomba escondida em sua cueca. Segundo a agência Associated Press, ele pareceu satisfeito quando soube de sua pena e defendeu suas ações, como enraizadas no livro sagrado muçulmano, o Alcorão.

Mais cedo, quatro passageiros e um membro da tripulação a bordo do voo 253 testemunharam à juíza Nancy Edmunds que o evento mudou para sempre suas vidas. Abdulmutallab se mostrou desinteressado durante seus relatos - ele raramente levantava a cabeça enquanto estava sentado próximo às vítimas, com uma capa branca e uma camiseta da prisão.

Abdulmutallab "nunca expressou dúvida, arrependimento ou remorso sobre sua missão", disse Nancy. "Pelo contrário, ele vê sua missão como contínua e inspirada divinamente."

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A prisão perpétua é "somente uma punição pelo que ele fez", disse. "O réu representa uma significativa ameaça para a segurança dos cidadãos americanos em todo o mundo".

Abdulmutallab, 25 anos, que foi educado na Europa e é filho de um rico banqueiro nigeriano, afirmou ao governo que foi treinado no Iêmen sob os auspícios de Anwar al-Awlaki, um clérigo radical nascido nos EUA que morreu em ataque americano no Iêmen.

Ele tentou detonar a bomba em um voo de Amsterdã para Detroit mas o dispositivo falhou e o deixou com uma grave queimadura. Rapidamente, ele confessou o crime ao ser arrastado para fora do avião. "Os mujahedim estão orgulhosos de matar em nome de Deus. E isso é exatamente o que Deus nos diz para fazer no Alcorão. Hoje é um dia de vitória", disse na corte.

A juíza permitiu que os promotores mostrassem um vídeo no qual o FBI mostra o poder do material explosivo encontrado em sua cueca. Abdulmutallab duas vezes disse bem alto: "Allahu akbar", que significa "Deus é grande".

Abdulmutallab é uma "impenitente tentativa de ser um assassino em massa que vê seus crimes como inspirados por Deus e abençoados, e que se vê como alguém sob uma contínua obrigação de cometer tais crimes", disseram os promotores na corte na semana passada.

Anthony Chambers, advogado designado a ajudar Abdulmutallab, disse que a prisão perpétua era uma punição cruel e inconstitucional para um crime que não feriu ninguém fisicamente, exceto o réu. Em resposta, o governo disse que houve vários feridos.

"Ataques terroristas fracassados continuam a provocar medo no público, que, afinal, é um de seus principais alvos", disse os promotores em comunicado antes da sentença.

De fato, Alain Ghonda, consultante de Silver Spring, Maryland, um dos passageiros do voo 253, disse que ele agora viaja pelo mundo com muito mais sentimento de alerta após o ataque fracassado. "Depois de ter essa experiência, você não sabe mais quem está sentado ao seu lado", disse Ghonda, 40 anos, antes da audiência desta quinta-feira. "Eles podem parecer passegeiros, mas eles podem querer lhe ferir."

Com AP

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