Nigéria recolhe 200 corpos das ruas após confronto

MAIDUGURI - Autoridades da Nigéria recolheram mais de 200 corpos das ruas da cidade de Maiduguri, ao norte do país, após dias de confrontos com membros de uma seita radical islâmica, informou uma autoridade da Cruz Vermelha.

Redação com agências internacionais |

"Eles estão levando os corpos em caminhões. Até quinta-feira, recebemos mais de 200 corpos", disse Aliyu Maikano, chefe da Cruz Vermelha na Nigéria, acrescentando que corpos ainda estavam sendo coletados.

Confrontos violentos

Os confrontos no norte da Nigéria começaram no último domingo em Bauchi, quando uma delegacia da polícia foi atacada pela guerrilha Boko Haram, o que desencadeou um tiroteio que deixou 41 mortos e que derivou em combates entre as forças governamentais e os insurgentes, que não pararam desde então.

As autoridades não forneceram o número exato de mortos depois de seis dias de confrontos, mas a imprensa local informou na quinta-feira que só no estado de Borno mais de 300 pessoas morreram, às quais é preciso somar outras 50 em Bauchi e 40 em Yobe.

O governo também anunciou na quinta-feira que pelo menos mil pessoas fugiram de seus lares após os confrontos em Maiduguri, o que eleva a mais de quatro mil o número de deslocados desde o início dos combates.

Grupo "Boko Haram"

O grupo Boko Haram ("Educação é proibida", em tradução livre) é liderado por Mohammed Yusuf e luta contra o sistema de educação ocidental. O grupo acredita que o governo nigeriano foi corrompido pelas ideias do Ocidente. Eles desejam impor a lei islâmica, a Sharia, em todo o país.

A população local também se refere ao Boko Haram como "Taleban", embora não existam laços conhecidos entre os nigerianos e os milicianos do Afeganistão.

A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência.

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