Nigéria faz união entre soropositivos para frear HIV

O governo do Estado de Bauchi, no nordeste da Nigéria, está incentivando casamentos entre portadores do vírus HIV para tentar deter o avanço da Aids no país. Cerca de 70 casamentos entre portadores já foram realizados nas últimas semanas, de acordo com informações de autoridades estaduais à BBC.

BBC Brasil |

O governo local diz acreditar que os casamentos arranjados são uma forma de combater o "isolamento" e o "estigma" associados à infecção.

"Candidatos que testaram positivo e estão dispostos a se casar podem reduzir o avanço do vírus e amenizar o trauma psicológico do isolamento", disse Lirwan Mohammed, secretário-executivo do Comitê de Ação de Bauchi contra a Aids.

Poligamia
Lirwan Mohammed disse que a poligamia, que faz parte da cultura do norte da Nigéria, tem se mostrado "uma fonte poderosa de disseminação da praga do HIV" na região.

Os portadores do vírus são apresentados durante sessões de aconselhamento e são livres para dizer sim ou não a um possível casamento. A união é realizada com completa confidencialidade, mantendo-se em segredo que foi arranjada.

Um noivo disse à BBC que confia no plano para combater a doença. "Se tememos a Deus, devemos impedir o vírus de se espalhar por meio de casamentos indiscriminados, que infectam pessoas inocentes", disse.

"Casar com alguém que passa pela mesma situação, com o HIV, vai reduzir o avanço da praga", acrescentou.

Contra a idéia
Warren Naamara, diretor na Nigéria da Unaids, agência da ONU encarregada de combater a doença, diz não acreditar que a idéia colocada em prática em Bauchi seja boa.

Segundo Naamara, o problema é que duas pessoas com duas cepas do vírus podem interagir, criando uma terceira, mais resistente. "Pode haver um grande risco de espalhar a doença", disse.

Para o diretor da Unaids na Nigéria, esses casais deveriam usar preservativos e "não é aconselhável" que tenham filhos, já que eles correm risco de ser órfãos de pai e mãe.

O Estado de Bauchi adota a Sharia, a lei islâmica. Por isso, o uso da camisinha para evitar o contágio não é incentivado.

Cerca de 3% da população adulta da Nigéria, ou cerca de 2,4 milhões de pessoas, têm o vírus.

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