Por Ibrahim Mshelizza MAIDUGURI, Nigéria (Reuters) - Forças de segurança da Nigéria enfrentaram na quinta-feira remanescentes de uma seita islâmica responsável por distúrbios que mataram mais de 180 pessoas nos últimos dias no norte do país.

Houve tiroteios esporádicos na cidade de Maiduguri, onde policiais e soldados, sob a cobertura de helicópteros, iam de casa em casa na busca pelo pregador radical Mohammed Yusuf e de seguidores da sua seita Boko Haram, que defende a adoção da lei islâmica em toda a Nigéria.

A violência começou no domingo passado, com a prisão de seguidores da Boko Haram no Estado de Bauchi, sob suspeita de planejarem um ataque a uma delegacia.

Na noite de quarta-feira, membros da seita que fugiam da repressão queimaram uma delegacia em Maiduguri, e moradores disseram que ainda têm medo de sair de casa.

"A cidade está como um campo de batalhas", disse à Reuters o jornalista local Muhammed Yakubu. "Ainda ouvimos tiroteios na área da ferrovia, que é a base operacional da Boko Haram. A área está cercada por militares e policiais, e o bombardeio continua, embora o líder tenha conseguido escapar com alguns seguidores ontem."

Ali Modu Sheriff, governador do Estado de Borno, do qual Maiduguri é a capital, disse que os militantes foram desalojados e pediu à população que retome suas atividades. Pela rádio estatal, ele ameaçou processos judiciais contra quem abrigar os seguidores da seita.

Desde domingo, seguidores de Yusuf, armados com facões, facas, rifles caseiros e bombas incendiárias, atacaram igrejas, delegacias, prisões e prédios públicos em vários Estados do norte da Nigéria.

O presidente Umaru Yar'Adua disse que as agências de inteligência há anos monitoram o grupo, às vezes apontado como o "Taliban nigeriano". Yar'Adua disse ter dado ordens para que as forças de segurança "os contenham de uma vez por todas".

A polícia de Maiduguri diz que as forças de segurança mataram 90 membros da seita só na segunda-feira. Oito policiais, três agentes carcerários e dois soldados também teriam morrido.

No vizinho Estado de Yobe, as autoridades disseram ter recuperado os corpos de 33 militantes mortos em confrontos perto da localidade de Potiskum na quarta-feira. No domingo, mais de 50 pessoas haviam morrido nos confrontos iniciais em Bauchi.

A expressão "Boko Haram" significa "a educação ocidental é pecaminosa", no idioma hausá. Seus membros acreditam que suas esposas nunca devem ser vistas por outros homens, e que seus filhos só devem receber educação religiosa.

A polícia disse ter libertado na quarta-feira 95 mulheres e crianças mantidas em cativeiro pela seita.

As posições radicais do Boko Haram não têm respaldo junto à maior parte da população islâmica da Nigéria, que é o país mais populoso da África.

A violência no norte não tem nenhuma relação com os distúrbios na região petroleira do delta do Níger, no sul do país. O principal grupo rebelde do delta condenou os incidentes do norte.

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