Nigéria aumenta segurança depois de ataques que mataram 100

Autoridades da Nigéria aumentaram a segurança no norte do país depois de dois dias de ataques violentos que deixaram pelo menos 100 mortos. O presidente Umaru Yaradua pediu ao Exército e à polícia para que façam tudo o que for necessário para conter a violência no país.

BBC Brasil |

Soldados bloquearam estradas e o Exército impôs um toque de recolher nas áreas afetadas dos Estados de Yobe, Borno e Plateau. Além disso, os militares controlam o acesso às principais áreas urbanas.

Relatos de residentes das regiões sugerem que jovens armados estariam matando policiais e atirando e batendo em civis.

Conflito
Nos últimos dois dias cerca de cem pessoas foram mortas no norte do país devido a ataques de militantes islâmicos, que se dizem integrantes do Talebã.

Os militantes lançaram ataques com granadas e armas contra delegacias de polícia e prédios do governo em quatro Estados de maioria muçulmana, Bauchi, Yobe, Kano e Borno.

Uma jornalista da BBC contou 50 corpos, a maioria de militantes, perto de um quartel da polícia em Maiduguri, no Estado de Borno, onde centenas de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas. Há informações não confirmadas de mais mortes em Maiduguri, capital de Borno, além de uma fuga da cadeia da cidade.

Segundo a correspondente Caroline Duffield, em Maiduguri é a cidade mais afetada pela violência. Ela conta que os corpos das vítimas foram empilhados do lado de fora das estações de polícia e nas ruas da cidade.

Testemunhas relataram à BBC que, em Potiskum, no Estado de Yobe, o tiroteio durou horas e uma delegacia de polícia foi incendiada.

Estados vizinhos aos quatro Estados atingidos já mobilizaram suas forças de segurança para evitar que os ataques se espalhem.

Escolas ocidentais
Alguns dos militantes seguem um líder religioso, Mohammed Yusuf, que faz campanha contra escolas que seguem o estilo ocidental. Para Yusuf, esse tipo de educação vai contra os ensinamentos islâmicos.

Seguidores de Yusuf em Bauchi são conhecidos como Boko Haram, que significa "Educação é proibida". Eles atacaram uma delegacia de polícia no domingo depois que seus líderes foram presos.

Segundo correspondentes, este seria um grupo religioso menor que tem levantado suspeitas devido ao recrutamento de jovens e à crença de que a educação, cultura e ciência ocidentais são pecaminosas.

A lei islâmica, a Sharia, foi imposta no norte do país, mas não há histórico de violência ligada à Al-Qaeda na Nigéria.

A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência.

Duffield, afirmou que a tensão é comum no norte da Nigéria devido à pobreza e à competição pelos recursos escassos, além das diferenças culturais, étnicas e religiosas.

Mas, os últimos episódios de violência não ocorreram entre comunidades, envolveram jovens de grupos religiosos, que se armaram e atacaram a polícia, disse a correspondente.

Grupos religiosos menores da Nigéria também já alegaram envolvimento com o Talebã, indivíduos também foram acusados de ligação com a Al-Qaeda, disse Duffield.

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