Nigéria adia eleições para segunda-feira

Presidente de comissão eleitoral alegou problemas de organização e anunciou decisão após o início da votação neste sábado

BBC Brasil |

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O presidente da Comissão Nacional Eleitoral Independente da Nigéria (Inec, na sigla em inglês), Attahiru Jega, afirmou neste sábado que as eleições no país foram adiadas até segunda-feira por causa de problemas de organização classificados como emergenciais. O anúncio de Jega foi feito após o início dos trabalhos de votação, abertos às 8h (3h, em Brasília), para o "credenciamento" dos eleitores.

A decisão irritou milhares de pessoas já se preparavam para votar, sob forte aparato de segurança, em cidades como Kano e a capital, Lagos. A Nigéria, o país de maior população na África, iniciaria neste sábado o primeiro de três sábados de eleições. No entanto, de acordo com a correspondente da BBC no país, Caroline Duffield, acredita-se que aviões que transportavam as cédulas eleitorais para a Nigéria tenham sido desviados do espaço aéreo nigeriano.

"É um golpe duro à credibilidade da comissão eleitoral da Nigéria, que deveria estar organizando uma votação justa e estável, mas em vários Estados não conseguiu distribuir material eleitoral básico", afirmou Duffield.

Apelos por paz
Cerca de 73 milhões de eleitores devem comparecer às urnas para eleger o novo Parlamento, o novo presidente e governadores de 36 Estados. O clima de instabilidade em que o país está afundado já tinha levado diversos políticos a fazerem apelos pela paz. A Anistia Internacional afirmou que pelo menos 20 pessoas morreram em ataques e confrontos relacionados às eleições nas últimas semanas.

Na sexta-feira, uma bomba explodiu na delegacia da cidade de Bauchi, mas ninguém ficou ferido. O objetivo do atentado teria sido apenas causar pânico. A polícia da região do delta do rio Níger afirmou ter detido dois homens que conduziam um micro-ônibus carregado com rifles, munição e um lança-foguetes.

Eleições anteriores
Essas são as terceiras eleições nacionais na Nigéria desde o fim do governo militar do país, em 1999. As duas últimas, em 2003 e 2007, foram marcadas por acusações de fraudes nas urnas, intimidação de eleitores e violência. As forças de segurança oficiais também foram acusadas de apoiar o Partido Democrático Popular (PDP), que domina a política nigeriana desde a volta dos civis ao poder. Attahiru Jega tinha prometido organizar eleições livres e justas desta vez. "Há 12 anos, o nosso querido país, a Nigéria, voltou à democracia e iniciamos uma jornada que muitos esperavam poder ter produzido até hoje um sistema democrático estável no qual eleições confiáveis, pacíficas e livres seriam rotina e consideradas via de regra", afirmou Jega. "Infelizmente, não é o caso ainda, e os nigerianos ainda não puderam colher os frutos da democracia."

'Defesa pacífica'
Jega disse à BBC que se a Nigéria quiser defender as urnas e o voto de forma pacífica, um direito deles. Ele ameaçou com sanções qualquer líder político envolvido em violência ou fraude eleitoral, chegando a dizer que entregaria o cargo, caso necessário. Nas eleições que aconteceriam neste sábado, estão em jogo 360 cadeiras da casa baixa do Parlamento, a Casa os Representantes, e 109 na casa alta, o Senado. O PDP atualmente controla mais de três quartos dos votos de ambas as casas. O Inec espera anunciar o resultado dois dias depois do fim do pleito.

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