Carlos A. Moreno.

Rio de Janeiro, 14 dez (EFE).- O arquiteto Oscar Niemeyer completará 102 anos de idade amanhã em plena atividade e depois de ter superado vários problemas de saúde que o obrigaram a submeter-se a duas cirurgias nos últimos meses.

Niemeyer, que ainda trabalha em seu estúdio no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, não alterará sua rotina por causa do aniversário, pelo qual já começou a receber felicitações de diferentes partes do mundo, disse, hoje, à Agência Efe, seu neto Carlos Oscar Niemeyer.

"Amanhã vai trabalhar normalmente. Seguramente a família irá almoçar com ele e alguns amigos, mas não temos prevista nenhuma comemoração especial", contou o neto de Niemeyer.

À tarde, segundo ele, Niemeyer terá aula de filosofia com um professor particular, como costuma fazer todas as terças-feiras há cinco meses.

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho nasceu no Rio de Janeiro no dia 15 de dezembro de 1907 e, como arquiteto, sempre se caracterizou por ser um inovador nas formas arquitetônicas, com uma obsessão por dotar dar curvas ao cimento, característica que o tornou um dos precursores da arquitetura moderna.

"Quando me encomendam um edifício público, tento torná-lo lindo, diferente, que gere surpresa. Porque sei que os mais pobres não aproveitam nada, mas eles podem parar para vê-lo e ter um momento de prazer, de surpresa. É essa a forma como a arquitetura pode ser útil", explica o próprio arquiteto em "Oscar Niemeyer: A Vida É Um Sopro", um documentário de 90 minutos lançado há dois anos e que resume sua vida e sua obra.

No mesmo documentário, Niemeyer admite que as curvas de seus edifícios tiveram como inspiração as montanhas do Rio de Janeiro e as formas do corpo feminino.

Seu amor pelas mulheres o levou a casar-se em novembro de 2006, aos 98 anos, enquanto se recuperava de cirurgia e escondido de sua família, com Vera Lucia Cabreira, 40 anos mais nova que ele e que foi sua secretária durante décadas.

O arquiteto se casou pela primeira vez aos 21 anos com Annita Baldo, com quem teve uma filha chamada Ana Maria e viveu 76 anos junto, até sua morte, em 2004.

Foi com a mulher como inspiração que Niemeyer se tornou um dos arquitetos mais conhecidos do mundo, com obras construídas nos cinco continentes e com uma cidade como galeria viva para sua arte: Brasília, declarada Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A capital brasileira, inaugurada em 1960 no meio do nada e sob os planos de seu amigo Lúcio Costa, abriga várias das principais obras deste gênio: o Palácio do Planalto, o Congresso, a sede do Supremo Tribunal Federal, a Catedral e o Museu Nacional, entre outros.

Mas suas obras se espalham por todo Brasil e entre elas destacam-se o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, mais conhecido como "Oca", além do Auditório Ibirapuera, ambos no parque em São Paulo; e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ).

No âmbito político, Niemeyer se caracterizou por ser um fervoroso comunista, razão pela qual teve que exilar-se em Paris durante a ditadura no Brasil.

Em 1966, desenhou sem cobrar nada a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e também deixou sua marca no Centro Cultural Le Havre (França) e em um zoológico em Argel (Argélia), entre outros.

Entre as últimas obras que saíram da prancha do arquiteto está o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, que será inaugurado em maio de 2010 em Avilês (Espanha).

Atualmente, trabalha no projeto de uma torre de 60 metros que será construída em Niterói, além da sede de uma biblioteca árabe-sul-americana, em Argel, trabalhos que teve que interromper durante várias semanas por causa das cirurgias às quais se submeteu em setembro e outubro. EFE cm/pd

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