Nick Clegg, o candidato desconhecido do cenário eleitoral britânico

Patricia Rodríguez. Londres, 4 mai (EFE).

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Patricia Rodríguez. Londres, 4 mai (EFE).- Nick Clegg, líder do Partido Liberal-Democrata, passou de um grande desconhecido da política britânica ao candidato que revolucionou as pesquisas eleitorais, após romper o tradicional binômio de poder entre trabalhistas e conservadores. Um discurso brilhante no primeiro debate televisivo, no dia 15 de abril, o colocou no alvo da cena política, na qual até então passava praticamente despercebido na Câmara dos Comuns. Enquanto o desgaste mina o Trabalhismo e os conservadores continuam gerando desconfiança em amplos setores, a julgar pelas últimas pesquisas, Clegg é o único político que parece convencer majoritariamente. A imprensa se referiu a ele com qualificativos como o "Obama britânico" ou o "Novo Churchill", e o certo é que sua arrasadora entrada no panorama político marcou o antes e o depois na legenda que lidera desde 2007. Nicholas William Peter Clegg não só roubou a cena antes do discurso do conservador David Cameron, até então porta-voz da "mudança", mas se tornou a opção mais renovada para as eleições gerais do próximo dia 6 de maio. A "Cleggmania" ou "fenômeno Clegg" põe, além disso, um abrupto ponto final à "corrida de dois partidos" em que tradicionalmente consistiam as eleições britânicas. A ressurreição deste partido na geografia política do Reino Unido apresenta novas demandas para as próximas eleições, e seu aumento em popularidade coloca a possibilidade de que o país se veja amigável a um Governo de coalizão, formado por liberais e trabalhistas, ou a um Executivo conservador em minoria. Com a mesma idade de Cameron, 43 anos, Nick Clegg é um eurófilo convencido, cuja árvore genealógica mostra a mistura de origens e um destacado cosmopolitismo. Recebeu uma educação privilegiada - foi aluno do Colégio de Westminster. Seu pai, um banqueiro conservador, tem ascendência russa e inglesa, e sua mãe é holandesa. Clegg é casado com a espanhola Miriam González, com a qual tem três filhos - Antonio, Miguel e Manuel -, e seu assessor de imagem é alemão. Seu perfeito domínio de cinco idiomas (além do inglês, fala espanhol, alemão, francês e holandês) foi aproveitado pelo jornal conservador "Daily Mail" para perguntar aos eleitores se realmente pensavam que Clegg colocaria os britânicos como "prioridade", uma pitada de veneno contra o líder liberal-democrata. Agnóstico declarado, embora eduque seus filhos no catolicismo por causa de uma promessa feita a sua mulher, estudou Antropologia em Cambridge, onde desenvolveu, além disso, um grande interesse pelo teatro, e completou sua formação no Minnesota (EUA), onde teve aulas de filosofia política e se tornou fã do músico Prince. Os jornais britânicos, cheios de informações sobre o "homem do momento", lembram que este começou sua carreira encorajado por um eminente "tory" (conservador), Leon Brittan, quando este era comissário europeu. Em 2006, Paddy Ashdown, primeiro líder do Partido Liberal-Democrata, pediu ao jornalista Clegg para apresentar sua candidatura à liderança da legenda, aproveitando a renúncia de Charles Kennedy por causa de seus problemas com o álcool, o que Clegg recusou. Somente quando o veterano Menzies Campbell, seu antecessor, deixou o posto em 2007, que Clegg concorreu como candidato a líder e venceu, por uma margem estreita, Chris Huhne. Seu partido se apresenta como a legenda que vai fazer a divisão para uma hipotética coalizão, já que o sistema eleitoral britânico não permite abrigar opções realistas de Governo. A grande pergunta na boca de todos, e cuja resposta chegará no próximo dia 6, é se o arrasador triunfo midiático de Clegg, seu vertiginoso aumento nos índices de popularidade tem fundamento ou é simplesmente um fenômeno passageiro. EFE prc/ma/mh

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