Nicarágua critica a defesa que Brasil e Colômbia fazem aos biocombustíveis

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, se manifestou abertamente contra os biocombustíveis e criticou o projeto do Brasil e da Colômbia nesse setor, afirmando que, ao invés disso, deveriam produzir alimentos porque é isso o que faz falta.

AFP |

"Não compartilhamos em absoluto do projeto dele" (Luiz Inácio Lula da Silva), que é um sonhador", afirmou Ortega na sessão de trabalho da X reunião do Plano Puebla Panamá, na qual se encontram também seis presidente da América Central, do México e da Colômbia.

Em meio à tensão entre Bogotá e Manágua pelas críticas da Colômbia de que Nicarágua faz apologia do terrorismo, Ortega questionou o presidente colombiano Alvaro Uribe na questão dos biocombustíveis.

"Os paíse centro-americanos não têm magnitudes como o Brasil e a Colômbia para produzir biocombustíveis", declarou Ortega, afirmando que seu país está mais preocupado em produzir cana e feijões.

Imediatamente o presidente de Colômbia, segundo país da América Latina na produção de biocombustíveis, além do Brasil, pediu a palavra e quis intervir, mas o anfitrião Felipe Calderón determinou que os discursos continuarem de acordo com a ordem estabelecida, e que, nesse momento, correspondia a Ortega.

"Sugiro que terminemos com as apresentações, e onde está previsto o diálogo, façamos o debate, a fim de que possam cumprir com a agenda e nos dedicarmos totalmente ao tema que para mim é apaixonante", afirmou Calderón.

"Nós estamos preocupados com a produção de cana e feijões", insistiu Ortega ao retomar seu discurso. "Na Nicarágua é pecado mortal falar de biocombustíveis", enfatizou.

Ortega criticou que no Brasil o biocombustível esteja na moda pela ameaça que representa para a reserva natural do Amazonas. "Deveríamos produzir alimentos, que é o que faz falta".

"É grave que nos Estados Unidos estejam convertendo o milho em combustível porque não estão pensando no povo e sim nos lucros", conclui.

Os países reunidos neste sábado visam a reformar o Plano Puebla Panamá (PPP) para responder às necessidades de desenvolvimento da região mediante 22 projetos em 9 áreas, incluindo energia, moradia e infra-estrutura.

O Plano Puebla Panamá foi criado em 2001 por convocação mexicana e compreende os dez estados do sul mexicano, assim como todos os países da América Central e a Colômbia, que aderiu ao grupo em 2006.

Outro assunto abordo foi o pedido do México de que as nações da América Central e a Colômbia resolvam suas diferenças através do diálogo político, segundo afirmou o presidente Felipe Calderón na abertura da cúpula, uma alusão a tensão gerada entre Bogotá e Manágua.

"O México apela à intensificação do diálogo político e para resolver as nossas diferenças" na região, disse Calderon durante a cerimônia de abertura na cidade mexicana de Villahermosa, onde estiveram presentes presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Nicarágua, Daniel Ortega.

A reunião dos presidentes ocorre após a tensão gerada na semana entre a Colômbia e a Nicarágua, quando o governo de Uribe acusou Ortega de fazer apologia ao terrorismo.

A disputa ocorreu quando Ortega disse que Uribe tinha intenções de matar duas colombianas e uma mexicana que sobreviveram a um ataque do exército da Colômbia, no Equador, contra as Farc, em 1 º de março.

As mulheres foram chamadas pela justiça equatoriana, mas obtiveram asilo na Nicarágua.

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