Nicanor Duarte: presidente polêmico, impopular e que não deixou um sucessor

Jesús A. Rey Assunção, 23 jun (EFE).

EFE |

- Com baixíssimo índice de popularidade, o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, renunciou hoje após cinco anos no poder e deixa o Governo nas mão de seus opositores, que nas eleições presidenciais tiraram o Partido Colorado do poder depois de 61.

Assim como durante os últimos três anos de seu Governo, o recente ato de Duarte também foi cercado de polêmico, já que grande parte da oposição no Senado e na Câmara dos deputados pretende recusar seu pedido de saída para que ele termine seu mandato e transfira o poder para Fernando Lugo, no próximo dia 15 de agosto.

Os detratores de Duarte, que segundo pesquisas recentes se despede com 5% de aceitação popular, querem evitar que o atual presidente assuma em 1º de julho a cadeira a que tem direito no Senado, já que foi eleito para tal cargo no pleito de 20 de abril, quando seu partido perdeu a Presidência para Lugo.

Nascido em 11 de outubro de 1956 em Coronel Oviedo, Nicanor Duarte Frutos estudou Direito e Filosofia e trabalhou como advogado, professor e jornalista antes de entrar de forma definitiva para política com o Partido Colorado.

Durante seis anos foi ministro da Educação, nas presidências de Juan Carlos Wasmosy (1993-1998) e de Luis González Macchi (1999-2003), e assumiu o poder em 15 de agosto de 2003, com o país à beira da quebra, assolado pela corrupção e pela insegurança.

Nos primeiros anos de Governo, Duarte se caracterizou por seu caráter conciliador com a oposição, evitou a moratória das finanças públicas, aumentou as receitas fiscais, baixou a inflação e aumentou as reservas internacionais além de assinar um acordo de contingência com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

No metade de seu mandato aconteceu uma mudança radical quando o chefe do Estado começou a promover uma reforma constitucional para restabelecer a reeleição presidencial, o que gerou a união da oposição no Parlamento com os dissidentes do Partido Colorado.

Às fortes críticas à suposta intenção de Duarte de se perpetuar no poder se juntou a irritação causada pela candidatura do governante, no final de 2005, à Presidência do Partido Colorado, com o aval do Supremo Tribunal.

Em dezembro desse ano, o Congresso vetou um julgamento político o presidente por suposta violação da Constituição, que impediria o chefe de Estado de exercecer qualquer outro posto.

Surgiu então um amplo movimento social e político contra ele, liderado pelo então bispo emérito do departamento de San Pedro, Fernando Lugo.

Apesar de uma grande manifestação presidida por Lugo para pedir a destituição de Duarte, este conseguiu a Presidência de seu partido em fevereiro de 2006, onde permaneceu por alguns minutos e logo passou a José Alderete.

Apesar das melhoras dos dados macroeconômicos durante sua gestão, os índices de pobreza (um em cada três paraguaios são muito pobres) continuam altos e não se vê avanços na educação e na saúde, além do conflito com o Parlamento, controlado pela oposição e pelos dissidentes.

Enquanto a oposição e os movimentos sociais se uniam em torno de Fernando Lugo, Duarte, descartada a reeleição por falta de apoio, dividiu ainda mais os colorados por ter indicado o candidato da formação para as eleições presidenciais de 2008.

Apesar da evidente resistência interna por seu morno passado colorado, o presidente impõe a ministra da Educação Básica Blanca Ovelar como candidata do partido no pleito de abril passado. Ela, em dezembro de 2007, derrotou nas primárias, por uma pequena margem de votos, o ex-vice-presidente Luis Castiglioni.

Durante meses de campanha, Duarte foi acusado de deixar de governar para brigar pela vitória de Ovelar (primeiro nas primárias e depois nas eleições gerais), no meio de contínuos ataques contra diversos setores, incluindo os meios de comunicação, os empresários e produtores de soja.

Diversos setores também acusaram o presidente de pedir à Justiça para que o agora general reformado Lino Oviedo saísse da prisão e pudesse disputar as eleições para enfraquecer a candidatura do ex-bispo.

Além de impor a sua candidata, outra vez com apoio do Tribunal Supremo que rejeitou uma ação de inconstitucionalidade, Duarte conseguiu registrar sua candidatura ao Senado e, em 20 de abril, recebeu o maior número de votos.

Lugo venceu por mais de 10 pontos percentuais de vantagem a eleição presidencial e pôs fim a 61 anos de poder Colorado. EFE ja/rb/rr

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