Neto revela 13h de gravações inéditas de Agatha Christie

Treze horas de gravações inéditas feitas pela escritora britânica Agatha Christie, uma das mais famosas criadoras de histórias de mistério de todos os tempos, foram divulgadas nesta segunda-feira, quando ela faria aniversário. As gravações em áudio, feitas há 40 anos, foram descobertas pelo neto da escritora, Matthew Prichard, em uma caixa de papelão no sótão da antiga casa de Christie na cidade de Torquay, no oeste da Inglaterra.

BBC Brasil |

"Não imaginava que alguém pudesse ser ressuscitado dessa forma", disse Prichard à Rádio 4 da BBC, na Grã-Bretanha. "Ela tinha alguns trejeitos, como uma tosse curta no meio da frase, que eu tinha esquecido, mas de repente tudo isso voltou."
As fitas contêm memórias da escritora e foram usadas como conteúdo para sua autobiografia, publicada postumamente em 1977.

Agatha Christie nasceu em 1890 e morreu em 1976. Entre seus mais de 80 romances estão O Caso dos Dez Negrinhos, Assassinato no Expresso do Oriente e Morte no Nilo.

Miss Marple
As gravações incluem muito mais detalhes sobre alguns aspectos da vida de Christie do que a autobiografia, trazendo, por exemplo, descrições sobre como era a vida na Grã-Bretanha durante a guerra, a lua-de-mel da escritora com o segundo marido e a razão pela qual ela nunca quis que seus lendários personagens Hercule Poirot e Miss Marple se encontrassem.

Christie também oferece pistas sobre como veio a criar o personagem Miss Marple, uma detetive amadora, idosa e solteira, que aparece em 12 de suas histórias.

"Miss Marple se insinuou tão silenciosamente em minha vida que eu quase não notei sua chegada", disse Christie.

"Uma senhora solteirona vivendo em um vilarejo, um tipo de senhora de idade que seria parecida com as amigas da minha avó".

Na hora de resolver os crimes, no entanto, Miss Marple é incrivelmente astuta. Christie admite que o personagem tinha uma coisa em comum com a avó: a inteligência.

"Ela tinha isso em comum com minha avó: embora fosse uma pessoa muito positiva, sempre esperava o pior das pessoas e de tudo, e com uma precisão quase assustadora, normalmente acabava acertando".

Aversão a entrevistas
O tom das gravações é relaxado e informal, uma raridade, já que a escritora não gostava de dar entrevistas, era tímida e não gostava da atenção da imprensa.

Prichard disse que sua avó era tímida e jamais teria gravado seus pensamentos se houvesse alguém presente.

Há poucos registros da voz da escritora. Entre eles, uma entrevista para a BBC em 1955 e uma outra para o arquivo sonoro do Imperial War Museum, em Londres.

As fitas não esclarecem um dos mais misteriosos momentos da vida de Christie - seu desaparecimento durante 12 dias após ouvir do primeiro marido, Archie, que ele queria o divórcio.

Hoje, a família supõe que a escritora teve uma crise nervosa.

A reação que seu desaparecimento despertou na imprensa (que, na época, lançou uma caça nacional à escritora) ajuda a explicar por que Christie viria a se tornar cada vez mais reclusa.

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