Netanyahu vai acelerar colonização antes de moratória

JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aprovará a construção de novos assentamentos antes de avaliar um congelamento da atividade e possivelmente retomar as conversas de paz com os palestinos, disse um assessor nesta sexta-feira.

Redação com agências internacionais |

O governo do presidente norte-americano Barack Obama tem pressionado Israel a suspender a construção de assentamentos, um grande obstáculo nas emperradas negociações de paz entre israelenses e palestinos, para poder anunciar a retomada das conversas no final deste mês.

Netanyahu também está sob pressão de muitos legisladores dentro de seu partido Likud, de direita, para resistir a qualquer congelamento na construção de assentamentos na Cisjordânia, terra que os palestinos desejam como parte de um futuro estado.

Danny Danon, um dos membros mais radicais do Likud, disse à Rádio Israel que o partido não será uma "claque" para as decisões de Netanyahu e que vão resistir a qualquer anúncio de um congelamento.

O assessor de Netanyahu, que pediu para não ser identificado, afirmou que após a aprovação de várias unidades habitacionais, o líder israelense estará pronto para considerar uma moratória nas construções, com duração de alguns meses.

Israel já está construindo cerca de 2.500 moradias em assentamentos da Cisjordânia em vários estágios de construção.

Autoridades palestinas dizem que irão retomar as conversações somente se Israel interromper qualquer construção em enclaves judeus na Cisjordânia, em consonância com o "mapa do caminho" apoiado pelos EUA em 2003 que também pediu aos palestinos que interrompessem os ataques contra israelenses.

Congelamento total

Nabil Abu Rdainah, assessor do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, disse que as conversações de paz, suspensas desde dezembro, não podem ser retomadas sem uma promessa de Israel de um congelamento total na construção de assentamentos.

"A posição dos palestinos e dos EUA pede um congelamento total, inclusive do chamado 'crescimento natural'. Um congelamento parcial não basta, e deve haver um comprometimento com as obrigações do processo de paz como enunciado pelo presidente Obama", disse Abu Rdainah.

Os EUA tentam conciliar as posições de palestinos e israelenses e convencer estados árabes a normalizar relações com o estado judaico.

George Mitchell, enviado especial de Obama para o Oriente Médio, encontrou-se com assessores de Netanyahu esta semana em Nova York para buscar um acordo sobre a retomada das conversas a tempo de poder fazer um anúncio na Assembleia Geral da ONU no final de setembro.

Na quarta-feira, Israel e os palestinos tiveram as conversas de mais alto escalão desde o início do governo de Netanyahu, em março. O vice-primeiro-ministro israelense Silvan Shalom se encontrou com o ministro da Economia palestino Bassem Khoury em Jerusalém, cidade que os dois estados almejam como capital, para discutir questões econômicas.

* Com AFP e Reuters

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