Netanyahu será o próximo primeiro-ministro de Israel

Daniela Brik. Jerusalém, 20 fev (EFE).- O líder do partido direitista Likud, Benjamin Netanyahu, aceitou hoje o convite do presidente de Israel, Shimon Peres, de formar o próximo Governo do país, missão para a qual conta com o total de seis semanas e que o levará pela segunda vez ao cargo de primeiro-ministro.

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Peres encomendou esta tarde ao líder do Likud a formação de um Governo de coalizão, trabalho que Netanyahu disse enfrentar com grande responsabilidade e com o objetivo de fornecer paz e segurança ao país.

Peres lhe entregou em um ato realizado em seu escritório de Jerusalém uma carta com a qual oficializou o pedido, ao encerrar pouco antes a última rodada de contatos com representantes dos 12 partidos que formarão o Parlamento israelense (Knesset).

Netanyahu, que já foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999, tem quatro semanas para formar uma coalizão e outras duas caso seja necessário, diz a legislação.

É a primeira vez que o Chefe do Governo encarrega o chefe de um partido que não obteve a maioria dos deputados no pleito - realizado em 10 de fevereiro - de formar Governo, pois o Likud obteve uma cadeira a menos que o centrista Kadima, de Tzipi Livni, que alcançou 28.

No entanto, o crescimento da direita garante a Netanyahu uma base sólida de 65 deputados dos 120 que integram a câmara, o que inclinou a balança a seu favor.

O apoio mais forte que sentenciou as possibilidades do chefe do Likud em detrimento do Kadima foi o do bad boy da política israelense, Avigdor Lieberman, líder do ultradireitista Yisrael Beiteinu e que ontem revelou seu apoio a Netanyahu.

Este partido, o terceiro em importância com 15 cadeiras, às quais se juntam os ortodoxos sefardis do Shas, com 11, e outros partidos menores judeus da ala ultranacionalista, garantem a priori que Netanyahu será o próximo chefe do Governo.

No entanto, o líder do Likud não se conforma com esta coalizão, que certamente - indicam analistas - entrará em choque com o novo Governo dos Estados Unidos por sua rejeição a qualquer tipo de concessão aos palestinos.

Ao invés disto, procura incorporar a seu Governo o Kadima e o Partido Trabalhista, quarto partido em disputa que sofreu a pior derrota de sua história ao obter apenas 13 deputados.

E para isto, argumentou hoje que "a ameaça nuclear que representam o Irã" e a crise econômica atual pedem a formação de um Governo de união nacional.

"Convoquei a líder do Kadima Tzipi Livni e o líder do Partido Trabalhista Ehud Barak e lhes disse: 'Vamos nos unir para garantir o futuro do Estado de Israel. Peço para me reunir com vocês primeiro para debater (a possibilidade de formar) um Governo de união nacional pelo bem do povo e do estado", declarou Netanyahu em uma entrevista coletiva com Peres após receber a incumbência presidencial.

O chefe do Estado afirmava pouco antes que "Israel necessita de um Governo estável", ao justificar sua decisão.

Peres resolveu designar Netanyahu para formar Governo após o dirigente do Kadima rejeitar se juntar a uma coalizão de Governo com Netanyahu, segundo lhe afirmou o próprio Peres em reunião esta manhã que encerrou as negociações anteriores à designação.

Livni, que reiterou hoje sua intenção de passar a integrar a oposição, disse que "uma ampla coalizão não tem peso se não tem uma direção política. Não podemos servir de tampa para a falta de direção".

Referia-se a suas intenções de continuar a negociação com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que conduziu de forma pessoal durante todo o ano passado como chefe da equipe negociadora israelense.

Peres se reuniu esta manhã e separadamente com Livni e Netanyahu em uma última tentativa de tentar conseguir um acordo de Governo que incluísse o Kadima e o Likud, os dois partidos majoritários. EFE db/fal

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