WASHINGTON - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira estar preparado para iniciar negociações de paz com os palestinos, mas não fez menção à criação de um Estado para eles, omissão que incomodou autoridades árabes, europeias e norte-americanas.


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"Estamos preparados para retomar as negociações de paz sem demora e sem quaisquer pré-condições. Quanto antes, melhor", disse Netanyahu por vídeo a uma conferência do Comitê Americano dos Assuntos Públicos de Israel.

Netanyahu descreveu uma abordagem "tripla", que incluiria discussões políticas, estímulos à economia palestina e o fortalecimento das forças palestinas de segurança.

Mas o negociador palestino Saeb Erekat criticou o caráter "vago" do discurso e o fato de Netanyahu não se comprometer com a negociação das questões centrais, como o status de Jerusalém, o futuro dos refugiados e a própria criação do Estado palestino.

"Ninguém tem tempo para relações públicas e para a linguagem vaga. Espero que não tenhamos de esperar anos para ter uma resposta 'sim' ou 'não' a essas questões simples, temos de saber agora", disse Erekat à Reuters.

Em discurso ao mesmo evento dos EUA, o presidente de Israel, Shimon Peres, disse que o novo governo direitista do país quer a paz com todos os árabes, mas também evitou citar explicitamente a criação de um Estado palestino.

Peres, um político de grande prestígio, mas que ocupa um cargo protocolar, se reunirá na terça-feira na Casa Branca com o presidente Barack Obama.

Os líderes palestinos rejeitam a ideia da "paz econômica" e dizem que o processo de paz só deve ser retomado depois que Netanyahu se comprometer com a independência palestina.

A posição de Netanyahu pode criar conflitos com Obama, cujo representante especial para o Oriente Médio, George Mitchell, salienta o compromisso de Washington com a solução de "dois Estados".

Netanyahu irá a Washington no dia 18, para uma reunião com Obama que poderá esclarecer as chances de retomada do processo de paz.

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