Netanyahu rejeita comissão para apurar incidente

Resposta foi dada ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que pediu investigação sobre mortes na frota que seguia para Gaza

EFE |

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não aceitou a proposta do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de criar uma comissão internacional que investigue o ataque à frota que levava ajuda internacional à Faixa de Gaza e que resultou na morte de nove ativistas.

"Disse ao secretário-geral da ONU que a investigação dos fatos deve ser conduzida de forma responsável e objetiva e que estamos buscando outras alternativas", explicou Netanyahu aos ministros do Governo de coalizão que militam em seu partido, o Likud.

O primeiro-ministro respondeu assim às informações divulgadas hoje pela imprensa de que tinha dado seu consentimento à ONU para que investigasse os fatos através de uma comissão presidida pelo ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia Geoffrey Palmer, especialista em Direito Marítimo.

A comissão deve incluir também especialistas americanos, um representante turco e outro israelense a fim de preservar a maior objetividade e transparência possível. A postura de Israel será analisada hoje à noite por uma comissão formada pelos sete ministros mais destacados do governo, na qual o primeiro-ministro costuma impor sua vontade, sobretudo quando conta, como neste caso, com o apoio do titular da pasta da Defesa, Ehud Barak.

A reunião terminou após quatro horas sem que o Governo israelense tenha chegado a nenhuma decisão, além de que deve seguir estudando o caso amanhã.

O Escritório do primeiro-ministro comunicou que Netanyahu falou esta noite com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; o presidente francês, Nicolas Sarkozy; o enviado do Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, e os primeiros-ministros do Canadá, Geórgia, Bulgária e Grécia em uma rodada telefônica para explicar a postura de Israel sobre o bloqueio a Gaza.

"Israel atuou no caso como teria feito qualquer Governo cujo país é atacado por milhares de foguetes e mísseis e se reserva o direito à legítima defesa", disse. Antes de se reunir com os ministros, o embaixador israelense em Washington, Michael Oren, tinha assegurado à rede "Fox" que o país rejeita uma "investigação internacional".

"Estamos tratando com a Administração do presidente americano Barack Obama a forma como será realizada nossa própria investigação", acrescentou. "Na conversa com Ban lhe comuniquei toda a informação que temos sobre a conduta dos membros do grupo extremista turco (o IHH, organizador da frota) que apoia o terrorismo", acrescentou Netanyahu.

O ataque do exército israelense ao navio "Mavi Marmara" na segunda-feira, que fazia parte da frota que se dirigia a Gaza com ajuda humanitária e a intenção declarada de romper o bloqueio israelense à faixa, resultou na morte de nove ativistas turcos. Israel sustenta que o grupo de ativistas que atacaram os militares que interceptaram o navio não subiram com o resto dos passageiros, mas em outro porto, por isso não se submeteram às revisões de segurança e levavam armas brancas.

"Este grupo hostil tinha a clara intenção de iniciar um enfrentamento violento", denunciou Netanyahu na reunião do Governo. O Exército israelense informou esta noite que achou provas sobre as supostas relações entre pelo menos cinco dos ativistas e o movimento muçulmano Hamas, de um lado, e a rede Al Qaeda, do outro.

A rejeição de Israel à comissão é uma bofetada nos esforços dos Estados Unidos e da ONU de solucionar a crise e às pressões internacionais para que levante o bloqueio à faixa palestina. O bloqueio, que em seu formato inicial data de 2006, quando o Hamas capturou o soldado israelense Gilad Shalit, é um dos temas em que Netanyahu se mostrou mais inflexível. "Não permitiremos o estabelecimento de um porto iraniano em Gaza. Não permitiremos o livre tráfico de material de guerra e contrabando ao Hamas", enfatizou.

A outra proposta com a qual Netanyahu trabalha é a criação de uma comissão como a que averiguou a Guerra do Líbano de 2006, e que a princípio não contaria com o apoio da comunidade internacional. A ideia foi colocada pelo assessor jurídico do Governo, Yehuda Wainstein, apoiado pelo ministro de Exteriores, Avigdor Lieberman, e o de Defesa, Barak, que defendem que "nenhum estrangeiro deve interrogar soldados israelenses".

O debate coincide com a expulsão hoje dos 19 ativistas e tripulantes que estavam a bordo do navio "Rachel Corrie", interceptado ontem em águas internacionais e rebocado até o porto israelense de Ashdod.

Os primeiros sete, seis ativistas malaios e um tripulante cubano, saíram esta manhã pela passagem cisjordaniana de Allenby, na fronteira com a Jordânia, de onde serão repatriados, informou Sabine Haddad, porta-voz do Ministério do Interior. Outros seis tripulantes filipinos devem deixar o país na próxima madrugada com direção a Manila, e os cinco ativistas irlandeses e o capitão britânico devem embarcar esta noite.

A norte-irlandesa Mairead Maguire, prêmio Nobel da Paz em 1976, é uma das ativistas detidas, assim como o irlandês Denis Halliday, ex-subsecretário-geral das Nações Unidas. "Todos eles aceitaram finalmente a assinatura do documento (de repatriação voluntária). Inicialmente, os irlandeses se negavam a fazê-lo", explicou a porta-voz israelense.

O movimento Free Gaza, um dos organizadores da expedição, não manteve contato com nenhum deles desde que o navio foi abordado porque, segundo um de seus porta-vozes, Huwaida Arraf, eles estão "proibidos de falar inclusive com seus advogados".

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