Netanyahu quer Livni no governo para não depender da extrema direita

Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud, encarregado pelo presidente, Shimon Peres, de formar o próximo governo de Israel, fará uma proposta a Tzipi Livni, líder do Kadima, de participação na nova administração; sua estratégia é montar um gabinete o mais amplo possível, para não se tornar refém da extrema direita, que o apóia.

AFP |

"Em virtude dos enormes desafios que o Estado deve assumir, não há dúvida de que nosso objetivo primordial deve ser o de conseguir a união" no governo, declarou Netanyahu, que se reunirá com Livni na noite deste domingo.

"Esperamos consegui-lo através do diálogo, e não através da força (...). Espero um governo de união que coopere com a administração (de Barack) Obama", acrescentou.

O temor de Netanyahu se deve às posições defendidas pelos partidos mais à direita, como o Shaas e o Israel Beitenou, que são radicalmente contra a criação de um Estado palestino, o que poderia trazer sérios problemas com a comunidade internacional e inutilizar os esforços pela paz alcançados até o momento.

Uma união com o Kadima, que defende a negociação com os palestinos para a criação de um Estado, deixaria seu gabinete em uma posição mais confortável para se colocar perante a questão.

"Queremos formar um governo o mais amplo possível, e para isso é preciso criar equipes de negociadores", para corrigir diferenças, afirmou à rádio militar israelense o deputado Sylvan Shalom, do Likud.

"Cada um deve fazer concessões", estimou, dizendo esperar que o Partido Trabalhista do ministro da Defesa, Ehud Barak, também se una ao governo.

Nas eleições legislativas do dia 10 de fevereiro, o partido Kadima conquistou 28 das 120 cadeiras na Knesset; o Likud, por sua vez, ficou com 27, mas conta com o apoio de 65 deputados da direita e extrema direita. O Kadima é apoiado apenas pelos 13 deputados trabalhistas.

Consciente de que um governo formado com a extrema direita religiosa e laica pode ter duração limitada e causar problemas com o novo governo dos Estados Unidos, Netanyahu está em busca de uma flexibilização de suas posições, segundo a imprensa israelense.

De acordo com uma fonte próxima ao futuro primeiro-ministro, Netanyahu pode fazer ao Kadima "propostas generosas, justas e corretas", compartilhando a mesma quantidade de ministérios com o partido de Livni, que poderia ficar com as pastas de Finanças e Relações Exteriores ou da Defesa.

Desde que foi incumbido da formação do governo por Peres, na sexta-feira passada, Netanyahu tem feito apelos à "unidade", para combater os "colossais desafios" enfrentados por Israel, como a crise econômica e a ameaça nuclear do Irã.

Livni se reuniu com sua bancada antes do encontro com Netanyahu. Desde a divulgação do resultado das eleições, ela afirma que quer passar a ser oposição para "ser uma alternativa", ao invés de dar carta branca à equipe de Netanyahu. Seus companheiros de partido, no entanto, insistem que ela deve pelo menos ouvir as propostas do Likud antes de tomar uma decisão definitiva.

"Devemos escutar Bibi (apelido de Netanyahu) e então decidir (...). É importante. É uma questão de saber se o caminho tomado pelo gabinete permitirá manter o diálogo com os europeus, os americanos, os palestinos e a Síria", argumentou o ministro da Integração, Yaacov Edery, em entrevista à rádio pública israelense.

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