JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aventou publicamente pela primeira vez na segunda-feira a hipótese de manter forças israelenses ao longo da fronteira leste de um futuro Estado palestino, para impedir a infiltração de armas. O problema da desmilitarização deve ser resolvido efetivamente, e isso pressupõe efetivamente bloquear a entrada não-autorizada, antes e acima de tudo do leste, onde quer que a fronteira seja definida, disse Netanyahu em discurso a embaixadores israelenses.

"Duvido que qualquer coisa senão uma real presença do Estado de Israel, das forças israelenses, possa cumprir isso", disse ele, ampliando sua visão sobre como o Estado palestino seria uma nação de soberania apenas limitada.

Netanyahu já havia dito que o eventual Estado palestino deve ser desmilitarizado, mas até agora nunca havia feito uma referência específica à presença militar na fronteira Cisjordânia-Jordânia.

No outro território palestino, a Faixa de Gaza, Israel e Egito controlam as fronteiras. Israel impõe um bloqueio comercial a Gaza desde que o Hamas assumiu o poder no território, em 2007.

As declarações de Netanyahu sobre a presença militar nas fronteiras ecoam posições defendidas por governos israelenses anteriores, e prenunciam novos termos nas futuras negociações com os palestinos.

Os palestinos reivindicam um território contíguo na Cisjordânia e Faixa de Gaza, e têm exigido também o futuro acordo estipule seu controle total sobre a fronteira com a Jordânia, mas sem descartar a presença de uma força internacional.

Netanyahu disse que um "arranjo internacional" para as fronteiras palestinas, semelhante à mobilização de uma força da ONU no sul do Líbano depois da guerra Hezbollah-Israel em 2006, não seria suficiente.

As negociações entre israelenses e palestinos estão paradas há cerca de um ano. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, condiciona sua retomada à paralisação de todas as atividades de ampliação em assentamentos israelenses de territórios ocupados.

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