Netanyahu quer acelerar colonização antes de uma moratória

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quer acelerar a colonização na Cisjordânia antes de uma paralisação parcial da construção, informou uma fonte da presidência do conselho israelense, o que causou irritação entre os palestinos.

AFP |

Netanyahu pretende aprovar a construção de centenas de casas adicionais nas colônias já edificadas no território palestino ocupado, antes de anunciar uma paralisação temporária da colonização.

"O primeiro-ministro aprovará nos próximos dias projetos de construção nos assentamentos e só depois poderá aceitar uma moratória de vários meses", declarou à AFP uma fonte governamental.

O cessar da colonização, reclamado com insistência por Washington, para reativar o processo de paz com os palestinos e os países árabes, deve durar nove meses, segundo meios israelenses.

Mas afetaria apenas a construção de novas moradias nos assentamentos da Cisjordânia, onde vivem 300.000 israelenses. No entanto, não diz respeito às 2.500 casas que já receberam a aprovação do governo ou aos prédios públicos ou bairros de colonização de Jerusalém Oriental, onde vivem 200.000 israelenses.

Este jogo de equilíbrio, destinado a contentar a ala mais radical da direita israelense contrária ao cessar da colonização e também apaziguar a administração de Barack Obama, foi imediatamente denunciada pela direção palestina.

O chefe dos negociadores palestinos, Saeb Erakat, reagiu à notícia afirmando que o projeto israelense é totalmente inaceitável.

"A única coisa que conseguirá ser suspensa depois destes anúncios será o processo de paz e não a colonização", completou, ao falar à AFP por telefone de Paris, onde acompanha o presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas.

Na véspera, em coletiva conjunta, em Paris, com o ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, Abbas reiterou que as negociações de paz com Israel não serão retomadas até que haja um acordo sobre o congelamento da colonização.

Também vinculou este congelamento com a reunuião com Netanyahu em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU durante a terceira semana de setembro.

Abbas e Netanyahu não se encontram desde que premiê israelense assumiu suas funções no início da abril na chefia de governo de direita.

Israel espera obter o apoio dos Estados Unidos para seu plano, apesar da oposição da administração Obama à manutenção da colonização.

Dirigente israelenses mantiveram um encontro esta semana com o enviado americano George Mitchell e os dois lados reafirmaram seu compromisso por uma paz global na região, segundo o departamento de Estado americano.

Mitchell deve voltar ao Oriente Médio na próxima semana, quando se reunirá com uma série de dirigentes palestinos e israelenses.

ms/fp/cn

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