Netanyahu procura na Europa apoio para retomar processo de paz e contra Irã

Antonio Pita Jerusalém, 24 ago (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, parte esta tarde para Londres para iniciar uma visita ao Reino Unido e Alemanha onde buscará apoios para retomar o processo de paz com os palestinos e aumentar a pressão sobre o Irã.

EFE |

Netanyahu se reunirá amanhã com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e na quinta-feira com a chanceler alemã, Angela Merkel, quando transmitirá o "desejo" de Israel de retomar o processo de paz com os palestinos e pedirá menos flexibilidade com o Irã, informou a Efe seu porta-voz, Mark Reguev.

"Entendemos que, após o sucedido no Irã, há uma melhor compreensão na Europa da verdadeira natureza do regime iraniano e da necessidade de impedir que adquira armas nucleares", disse Reguev.

O primeiro-ministro israelense tentará também melhorar as relações com a União Europeia (UE), abalada desde a ofensiva de Israel em Gaza que causou 1.400 mortos, na maioria civis.

"Ao longo da última década, Israel e a UE foram melhorando e ampliando suas relações de forma consistente e queremos que isto continue. Achamos que é bom para a Europa e bom para Israel", apontou o porta-voz.

Na quarta-feira, o chefe de Governo israelense se reunirá em Londres com o enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, com o objetivo de "aproximar posições" com a Administração Obama, acrescentou Reguev.

Ambos os países aliados mantêm diferenças sobre as condições para o retorno ao diálogo de paz com os palestinos, também paralisado desde a ofensiva em Gaza.

A Casa Branca pede o fim das construções de assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental e Cisjordânia, uma reivindicação que Israel não considera "razoável".

Ontem, no conselho de ministros, Netanyahu revelou a existência de "certos progressos" na resolução dessas diferenças.

No mesmo dia, a organização israelense "Shalom Ajsav" ("Paz Agora", em hebraico) revelou que no primeiro semestre do ano o país de início à construção de cerca de 600 casas e estruturas nas colônias.

Netanyahu espera retomar o diálogo de paz com os palestinos no final de setembro, segundo comunicou ontem a seus ministros na reunião semanal do Gabinete.

Os palestinos, no entanto, rejeitam voltar à mesa de negociações sem garantias que o diálogo será sério, entre as que incluem o fim da ampliação dos assentamentos, uma das obrigações de Israel no plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri (EUA, UE, ONU e Rússia).

No sábado, o chefe negociador da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, acusou o Executivo israelense de querer retomar o diálogo de paz com os palestinos desde zero, em vez de respeitar o que foi estipulado na tentativa anterior negociada em Annapolis (EUA).

Netanyahu considera que seu país, "EUA e outros têm interesse na retomada de conversas diretas com os palestinos, o que poderia fazer-se no final de setembro, embora requeira primeiro uma série de acordos com os americanos e com a Autoridade (Nacional) Palestina".

Menos otimista se mostrou seu ministro de Assuntos Exteriores, o ultraconservador Avigdor Lieberman, que ontem previu dezesseis anos mais sem paz se esta se busca com base na criação de um Estado palestino.

Para o chefe da diplomacia israelense, "quem diz que a solução de dois Estados porá um fim no conflito não tem nem idéia do que fala ou está redondamente enganado".

A viagem de Netanyahu coincide com um momento de tensão diplomática com a Suécia, país que ostenta a Presidência da UE, por se recusar a condenar um artigo publicado em um tablóide local que acusa o Exército israelense de matar palestinos para roubar órgãos.

Netanyahu exigiu ontem a Estocolmo que "condene o artigo", publicado no diário "Aftonbladet", chamando de "difamação sangrenta" e comparando-o com as "fabricações medievais sobre assassinatos de crianças cristãs por judeus para beber seu sangue". EFE ap-aca/fk

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