Netanyahu procura direita radical para formar Governo israelense

Daniela Brik. Jerusalém, 25 fev (EFE).- O líder do partido conservador Likud, Benjamin Netanyahu, começou hoje a negociar com a extrema direita e o setor ultra-ortodoxo a formação do novo Governo de Israel, depois de não chegar a um acordo com o centrista Kadima e o Partido Trabalhista.

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Após receber o "não" - pelo menos provisório - do Kadima, de Tzipi Livni, e do Partido Trabalhista, de Ehud Barak, para criar uma coalizão governamental que tivesse uma tendência mais moderada, o líder do Likud, encarregado de formar o próximo Executivo, sondou seus "parceiros naturais" da direita radical.

Netanyahu iniciou assim os contatos com o ultradireitista Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman, terceira maior força política israelense, que conquistou 15 deputados nas eleições do último dia 10 e tem como objetivo facilitar as conversões ao judaísmo e mudar o sistema de Governo em Israel.

Ao término da primeira reunião com a equipe de Netanyahu, Lieberman manifestou que existem "desacordos" entre os dois partidos, principalmente no que se refere à "agenda civil", o que provocará vários choques com os setores ultra-ortodoxos.

Netanyahu deverá ter cautela se deseja consolidar uma coalizão com o Yisrael Beiteinu e as legendas religiosas judaicas, que rejeitam qualquer concessão nos direitos civis em detrimento do monopólio do Rabinato Ortodoxo, que em Israel dita a legislação matrimonial e de divórcio em virtude de um 'status quo' vigente desde a criação do Estado Judeu, em 1948.

No entanto, as desavenças citadas por Lieberman podem ser relativas às ofertas que recebeu de Netanyahu na divisão de Ministérios. Segundo a imprensa local, o líder ultradireitista pretende ocupar pastas de destaque no próximo Executivo, como a de Assuntos Exteriores, Defesa ou Finanças.

A reação de Lieberman contrasta com as declarações do deputado e responsável pelas negociações no Likud, Gideon Sa'ar, que assegurou que sua legenda e o "Yisrael Beiteinu coincidem na maioria das questões".

Sa'ar lembrou a cooperação entre os dois partidos tanto em anteriores Governos como na oposição.

Após se reunir com o Yisrael Beiteinu, os representantes do Likud se encontraram com seus colegas do partido ortodoxo sefardita Shas, que conta com 11 cadeiras na Knesset.

O líder do Shas, Eli Yishai, disse após a negociação que "as diferenças entre os dois partidos são grandes".

"Há temas difíceis, e o primeiro deles é a economia e a recessão.

Devemos abordar os problemas da sociedade", manifestou o líder do Shas.

O terceiro encontro foi com a legenda ortodoxa Judaísmo Unido da Torá, que elegeu cinco deputados.

O líder do Likud recebeu do presidente de Israel, Shimon Peres, a incumbência de formar o novo Governo, por contar com mais apoio para armar uma coalizão, apesar de seu partido ter obtido no pleito um deputado a menos que os 28 do Kadima.

Netanyahu, que foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999, tem até o dia 20 de março para consolidar uma coalizão, com um prazo de mais duas semanas se for necessário.

Apesar de iniciar negociações com os partidos à direita do Likud após a recusa de Livni de fazer parte de seu Governo, o conservador não descarta arrastar o centrista Kadima para seu Executivo.

Likud e Kadima somariam 55 legisladores, mas necessitariam de apoio da direita, como do Shas e Yisrael Beiteinu, ou da esquerda, do Partido Trabalhista, que tem 13 deputados, para garantir a maioria no Parlamento, de 120 cadeiras.

Netanyahu prefere um Governo de união nacional com maior estabilidade e que não desperte o receio sobre o surgimento de um Executivo de extrema direita na comunidade internacional.

Livni, no entanto, deixou claro que prefere a oposição a integrar um Executivo que não aposte em um Estado palestino, uma negociação que encontra a oposição tanto de Netanyahu como de seus naturais aliados ideológicos conservadores. EFE db-amg/mh

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